quinta-feira, 20 de julho de 2017

Uma palavra nos basta

Os membros da CVX Amar e Servir têm tirado muito proveito da proposta de oração diária que tem sido disponibilizada pelo Pe. Láercio Lima, SJ.

Trata-se uma proposta de oração à luz do Evangelho da Liturgia Diária, em que são colocados alguns pontos para reflexão e vivência da mensagem do Evangelho.

O Pe. Laércio Lima disponibiliza um áudio de aproximadamente 10 minutos, diariamente, que pode ser acessado tanto celular, tablet ou computador, na plataforma Spreaker - Uma palavra nos basta.


Boa oração a todos!

31 dias com Santo Inácio de Loyola – Dia 20

Dia 20: Não muitas coisas, porém o bastante


Um provérbio latino nos ajuda a entender a dimensão espiritual: “non multa sed multum”, que significa não muitas coisas, porém o bastante. Os jesuítas não cunharam esta frase, porém é atribuída a eles, provavelmente porque seu espírito é tão alinhado com outros ideais jesuítas.

A qualidade com que um trabalho é feito – “o bastante” – pode ser mais importante do que a quantidade de tarefas realizadas por uma pessoa. Que valor se pode atribuir, por exemplo, a um voluntário que faz aconselhamento de 50 pessoas por dia? As pessoas atendidas podem se sentir como latas de sardinha na linha de produção de uma fábrica...
Ou qual o valor de centenas de orações diárias sem um real engajamento consciente?

Nos últimos textos de Dom Oscar Romero sobre este tema ele diz: “Nós não podemos fazer tudo e é libertador perceber isto.  Isso nos possibilita fazer algo, e a fazê-lo bem feito” 
As palavras de Madre Teresa de Calcutá acrescentam que: “Nós não podemos fazer grandes coisas neste mundo, nós só podemos fazer pequenas coisas com grande amor”.

Para reflexão:
-- Eu tenho experimentado algum sentimento de frustração quando não consigo fazer muitas coisas? 
-- Refletir sobre a qualidade (profundidade) das minhas ações, grandes e pequenas... O quanto há realmente de mim nas coisas que tenho feito?
-- Não é o muito fazer que sacia e satisfaz a alma... Mas saborear internamente as coisas.

Fonte: Adaptação livre do site Ignatian Spirituality

quarta-feira, 19 de julho de 2017

31 dias com Santo Inácio de Loyola – Dia 19

Dia 19: O que eu fiz cada manhã


Nós recebemos esse presente insano que é a vida. Nós estamos vivendo no meio da Ressurreição. E durante todo o dia, toda a noite, nossos corações ainda perguntam: Onde está Deus?

Eu comecei a perceber cedo que Deus estava em todas as coisas, ou dentro ou por trás das coisas, ou tinha criado todas as coisas, que eu amava toda a minha vida... Nas sinfonias de Bach, em todas as flores, em todas os pássaros... No homem ou mulher que sofreu e quem não reclamou e que tentou ajudar o próximo... Deus está em tudo isso. Na garça-real azul. Nas árvores que mudaram de cor no outono. Ah, isso tudo é Deus.

Eu conheci pessoas que jamais atravessaram o limiar de qualquer igreja e que tinham uma profunda consciência de Deus. “Deus é educado!”, eles diriam com admiração. Ou ansiosamente: “Eu quero um Deus que tenha um rosto!” ou “Você sabe o que eu percebi ontem? Percebi que Deus não está com raiva de mim! E eu sempre pensei que Deus tinha raiva de mim”.

Deus é como um pretendente. Ele nunca se força para nós, mas se temos olhos para ver, ele está em todos os lugares:
-- Ei, aqui, olhe para fora: um beija-flor de pescoço vermelho!
-- Olá! Você que está com o coração pesado, olhe o nascer do sol!
-- Se você acha que ninguém o ama, olhe para aquele mendigo que está morrendo de vontade de tocar sua mão!

As coisas mudaram para mim quando eu comecei a ver que eu sempre amei a Deus e que o que eu fiz todas as manhãs - quer sentado em silêncio observando a luz, quer ouvindo os pardais, quer me sentindo imensamente agradecido, quer deixando minha mente vagar pelos mistérios do universo - foi a oração.

Fonte: Adaptação livre do texto publicado no site Ignatian Spirituality a partir de trechos de livro Holy Desperation (Desespero sagrado), de Heather King

terça-feira, 18 de julho de 2017

31 dias com Santo Inácio de Loyola – Dia 18

Dia 18: Praticar o Amor

Gostaria de propor uma justaposição de duas ideias que aparecem nos Exercícios Espirituais: Prática e Amor.

Sem se aprofundar nos textos de Santo Inácio, sugiro um breve exercício que deve levar a meditar nos três pontos abaixo:

Nós aprendemos muitas coisas pela prática: tocar piano, jogar futebol, álgebra...
Jesus nos chama a amar uns aos outros como o Pai o amou.
Como praticar o Amor?

Ao aprofundar a análise, o item 1 traz como ideia básica que prática não é sempre divertido ou de gratificação instantânea; de fato pode ser bem tedioso.

Porém, o que nos faz agir nos momentos de tédio (que Inácio chama de desolação) é a esperança de que isso pode trazer muitos frutos para nossa vida.

O que significa para mim praticar o amor como Jesus praticou, dia após dia? Quais são as práticas que, quando somadas, me ajudam a me tornar um virtuoso poeta do amor?

Fonte: Adaptação livre do site Ignatian Spirituality

segunda-feira, 17 de julho de 2017

31 dias com Santo Inácio de Loyola – Dia 17

Dia 17: Lista de Gratidão


Um homem estava preso no trânsito de uma grande cidade no final de uma sexta-feira de verão. Ele estava realmente preso, sentado em seu carro em uma avenida importante da cidade, mas indo a lugar nenhum. Ele ficou impaciente e depois com raiva. Depois de um tempo, ele começou a pensar em quão lamentável era sua vida. Ele pensou: seus amigos eram mais inteligentes, mais ricos, mais felizes do que ele. Ele não havia realizado nada significativo. Ele estava preso na vida, assim como ele estava preso no trânsito.

Então ele ligou para um amigo e pediu ajuda. O amigo lhe sugeriu um exercício: “Se você está parado no trânsito, então faça uma lista de gratidão”. O homem aceitou a sugestão do amigo, pegou um caderno e uma caneta e fez uma lista de todas as coisas pelas quais ele era grato. Algumas eram coisas grandes, tais como família, amigos, trabalho, mas a maioria delas eram pequenas coisas: o fim de semana que estava chegando; um excelente romance que ele estava lendo; um elogio de seu chefe no dia anterior; uma corrida emocionante na orla naquela manhã; seu carro confortável... E logo seu bom humor voltou. O exercício da gratidão restaurou o equilíbrio para o seu pensamento. Não era um truque. Aquele homem viu que sua vida realmente estava cheia de coisas boas. A gratidão era a verdade!

Recentemente, li um comentário sobre a gratidão: Rezamos pelas grandes coisas e esquecemos de agradecer pelas coisas pequenas e ordinárias do nosso dia-a-dia. Nós nos esforçamos para a grande aventura espiritual, que ainda não tivemos, e negligenciamos os muitos dons de Deus que nós temos. O comentário ainda aconselhava que devemos ficar satisfeitos com a pequena medida do conhecimento espiritual, da experiência e do amor que nos foi dado. 

Sugestão: Faça uma lista de gratidão... Por quais coisas, grandes e pequenas, hoje sou grato (a)?

Fonte: Adaptação livre do site Ignatian Spirituality

domingo, 16 de julho de 2017

Jesus, Semeador e Semente do Reino

Texto do Pe. Francys Silvestrini Adão SJ via Facebook

Jesus, Semeador e Semente do Reino, ensina-nos teu modo de olhar!

Senhor Jesus,
Teus olhos filiais são sempre capazes de enxergar um mundo grávido de vida! Tua abertura radical e sem falhas ao Pai afasta qualquer possibilidade de cegueira e de surdez diante da explosão de vida presente na Criação, tanto no ritmo da natureza quanto no trabalho humano. Teus olhos são sempre prontos a contemplar a vida escondida em uma pequena semente, o mistério escondido em cada terra, a beleza do gesto de cada semeador. Se um semeador não tivesse fé numa possível história de amor entre uma semente e um solo, um amor capaz de gerar vida, ele nunca sairia de casa, e o milagre da vida seria menos rico e belo.

Por que nossos corações endurecidos, colocando obstáculos ao despertar da força do Espírito em nós, continuam a ver sem enxergar, a ouvir sem escutar? Por que ainda deixamos que o mal arranque de nós esta silenciosa palavra consoladora, fazendo-nos fixar nosso olhar somente nas sementes que não conseguiram dar frutos e entrar, assim, numa murmuração amargurada? Por que, às vezes, mesmo tendo enxergado a promessa da vida, deixamos que nosso medo fixe nosso olhar nas provações e tribulações, nas fragmentações e na morte pela qual esta semente tem que passar a fim de dar muitos frutos? Por que, apesar de nossos olhos terem contemplado a beleza dos frutos, nosso coração ainda teima em reter para nós mesmos esta riqueza, apegando-se às belezas deste mundo, sem viver esta transformação necessária pela qual entendemos que somos não somente semeadores, mas também sementes de vida?

Ajuda-nos, Senhor, a crer e a compreender que uma só semente capaz de gerar frutos em abundância – cada uma segundo seu próprio jeito de ser fecunda – pode alimentar a vida e a esperança de todas aquelas que, por uma razão ou outra, ficaram pelo caminho. Elas já não existem para si, mas para os outros. Nunca poderíamos compreender isso sem Tua Páscoa, Senhor! Mas agora, com os olhos transfigurados pela fé, podemos ver-Te e escutar-Te, Ressuscitado, convidando-nos e conduzindo toda a Criação de Teu Pai a não ter medo de viver as conversões necessárias para entrar na Vida do Reino. Que nosso coração creia, que nosso espírito diga sim, e que nossa vida, semeada e transformada, dê muitos frutos: trinta, sessenta e cem por um!


31 dias com Santo Inácio de Loyola – Dia 16

Dia 16: Discernimento em diferentes estágios da vida


O maior presente que a Espiritualidade Inaciana nos oferece é a sabedoria sobre discernimento.

Discernir nos possibilita analisar situações, ficar atentos às várias pistas, chegar a nossa decisão por meio da oração e, finalmente, escolher o melhor de acordo com a nossa fé e a nossa vida.

Porém o discernimento não é da mesma forma nos diferentes estágios da vida. Cada época da vida nos apresenta desafios próprios que requer uma outra nuance, no discernimento espiritual.

Quando estamos na fase da infância, os discernimentos devem estar relacionados ao nosso próprio reconhecimento, na realização das ações certas, em detrimento das erradas. Discernimos o que é ser honesto, como tratar as pessoas com amabilidade, admitir os erros, e calcular os resultados das nossas ações. Discernimento nesta fase ajuda a construção moral. Como cristãos aprendemos, através do discernimento, identificar qual deve ser o comportamento e as atitudes cristãs.

Na fase de jovem adulto, deparamos frequentemente com decisões que trarão grande impacto na nossa vida. Os discernimentos devem apoiar as seguintes questões:

-- Meu perfil é adequado para o relacionamento com a pessoa escolhida?
-- Estou ajustado para esse tipo de trabalho ou carreira?
-- Quais são as minhas prioridades?
-- Minhas escolhas diárias e atos me movem para o que tenho como propósito de vida?

Na fase adulta, entre 30 a 50 anos, o discernimento deve ser ardiloso, pois neste período temos múltiplas e apropriadas ligações e apegos. Muitos estão em sérios relacionamentos, como pais, em novas carreiras ou em uma estável vida profissional.

Muitos dos discernimentos envolvem-se em calcular como os diferentes aspectos da vida estão inter-relacionados e aonde devem ser corrigidos.

Além de guiar nossos filhos e trabalhar as dificuldades matrimoniais, estamos nos abrindo para o mundo externo, como por exemplo ajudar as pessoas, e a realização de múltiplas obrigações.

Nos últimos anos, os discernimentos relacionam-se a como usar as energias e os recursos. Apesar da diminuição desses aspectos ficamos mais livres para uma vida de aprendizagem e de discernimento. Devemos discernir como nos envolver em problemas e pressões das pessoas de nossas famílias e da comunidade.

Devemos discernir como nos colocar face aos declínios físico e mental e também sobre nossa morte.

Neste estágio da vida, discernimento inclui:
-- Identificar padrões de pensamento ou comportamento que precisamos para as mudanças.
-- Identificar profundamente as feridas e sofrimentos e buscar a cura e restauração.
-- Escolher as melhores das múltiplas boas opções.
-- Enfrentar as dificuldades de saúde, orando e trabalhando para uma liberdade espiritual.
-- Descobrir o melhor caminho para usar nossos recursos - dinheiro, tempo e energia para ajudar o mundo.

Fonte: Adaptação livre do site Ignatian Spirituality 

sábado, 15 de julho de 2017

Tempo das Raízes

Apresentamos a seguir o texto do Pe. Adroaldo Palaoro, sj (Centro de Espiritualidade Inaciana - CEI), como sugestão para rezar o Evangelho do 15º Domingo do Tempo Comum - Ano A.

“Quando o sol apareceu, as plantas ficaram queimadas e secaram, porque não tinham raiz” (Mt 13,6)

Temos perdido as raízes? Como conectar-nos com elas? Quê raízes nos alimentam? Onde estamos enraizados? Quais são as raízes que nutrem atualmente nossa vida? São as melhores?
Enraizamento, fincar raízes, viver da profundidade das raízes... O “novo” vem das raízes, vem de baixo, da base, do chão da vida. É preciso relançar uma nova radicalidade. Viver a partir das raízes, projetar a partir das raízes, criar a partir das raízes. É tempo de fortalecer as raízes; e viver o tempo das raízes para ser presença “diferenciada” na realidade cotidiana de cada um.
Neste novo contexto em que vivemos, marcado pelo desenraizamento, promove-se muito mais viver em mundos virtuais, em espaços criados pela tecnologia, comunicando-se através de relações informáticas com pessoas distantes, desenraizando-se do próprio chão existencial; no emaranhado das imagens e sons perde-se a noção daquilo que é essencial, decisivo para a vida; vive-se na superfície dos acontecimentos e de si mesmo; mina-se a consistência interior e fundamento sobre o qual se apoia a própria vida; esfria-se toda proximidade e relação com o outro; petrifica-se todo compromisso com as causas sociais...
Desenraizar-se é desumanizar-se.

Jesus, o homem enraizado em seu povo e sua cultura, traçou seu caminho em parábolas. Suas palavras romperam a ordem oficial do templo, a segurança dos sacerdotes, a razão dos escribas, colocando todos os homens e mulheres do povo frente à proposta de vida plena e feliz, desejada pelo Pai.
As parábolas parecem revelar a verdadeira identidade de Jesus; é como se alguém lhe perguntasse: “quem és tu? O que fazes?”. Segundo Mateus, Jesus é o verdadeiro semeador. Por isso, é decisivo prestar atenção ao seu modo de semear. E Ele faz isso com uma surpreendente confiança; semeia de maneira abundante; as sementes de humanidade são lançadas em todos os tipos de terrenos, mesmo entre aqueles onde a germinação parece difícil. O semeador não desanima nunca; sua semeadura não será estéril.

A parábola do “semeador” é muito precisa, nem uma palavra a mais, nem uma a menos; nenhum floreio ou comentários em excesso... Austeramente, Jesus descreve o que acontece com a semente, partindo das experiências normais da agricultura de seu tempo, um exemplo concreto do trabalho nos campos, de maneira que todos os ouvintes podiam entendê-lo.
Tudo é normal e todos se descobrem imersos nela, como se estivessem juntos construindo a parábola, buscando seu sentido. Pois bem, quando ela é escutada dessa forma descobrimos que ela desafia todas as convenções sociais, pondo em movimento nossa vida, pois ela fala de nós, do que somos e fazemos. Assim ela se revela surpreendente, pura transparência, como um chamado à nossa própria criatividade.
Nesse sentido, toda parábola vem iluminar e inspirar nosso modo de seguir e de nos identificar com Jesus; tal seguimento não é questão de uma simples adesão à pessoa de Jesus, mas um enraizamento na vida d’Ele, buscando ali a seiva que vai dar novo sentido à nossa existência.

A “nova radicalidade” (e não radicalismo) é a forma de seguir a Jesus. É uma radicalidade amável e expansiva, porque quem chega às raízes descobre-se enraizado na natureza humana, naquilo que todos compartilham e, por isso mesmo, descobre-se e sente-se enraizado no Outro.
Ninguém pode viver sem raízes, pois não se sustentaria de pé. Quando perde suas raízes, o ser humano se atrofia e fica privado de algo decisivo, essencial: de uma fonte de vitalidade.
A verdade é que a vida cristã nos pede “desenraizamento” de algumas realidades que nos envenenam e  fazem romper as relações (enraizamento no poder, na riqueza, na centralidade do próprio ego, na cultura da superficialidade...). Para dizer um “sim” ao seguimento de Jesus e enraizar-nos em uma realidade verdadeiramente consistente (sua palavra e vida) é preciso dizer “não” àquelas outras realidades, desprender-nos delas, desenraizar-nos delas.

Ao nos convidar a ter raízes profundas, o Evangelho de hoje está afirmando algo muito importante: nesta terra, nesta realidade social, cultural, eclesial e política, já está semeado o Reino, já está viva e ativa a presença do Deus fiel que cria futuro. Nós nos alimentamos desta realidade na medida em que nos deixamos semear nela.
Somente aquele que se deixa semear experimenta o sabor da seiva da vida de Deus entrando por suas raízes, percorrendo seu ser inteiro, fazendo-o crescer e dando os frutos de que nosso povo precisa. Aquele que não se deixa semear vive de ilusões e quimeras que envenenam sua existência.


O duro trabalho de lavrar a terra, de semear e semear-nos nela, supõe um amor pela terra. Acreditamos nela, a apalpamos entre os dedos para sentir sua qualidade. O camponês ama sua terra não só pelo que lhe possa produzir, mas porque nela está presente a herança de gerações familiares que lhe precederam. Sua terra tem nomes e sobrenomes: para ele é um ser vivo com sangue de família em suas entranhas.
Amamos a terra na qual estamos semeados como Jesus amou o seu povo?
Ter as raízes fincadas na história, na realidade, raízes que a partir do oculto nutrem nossa vida e alargam o coração, é saber que temos uma origem e uma meta que é o próprio Deus.
Raízes que se entrecruzam por debaixo do solo, no profundo, compartilhando a mesma água e o mesmo húmus. Vida nova, que cresce a partir de dentro e a partir de baixo, a partir do oculto.
Ramos que se abrem e se curvam buscando a luz.
Uma vida iluminada. Profundidade, serenidade e descanso. Solidariedade e comunhão. Vida que cresce em companhia. Vida consistente. Solidão habitada e fecunda.

Muitas vezes o enraizamento supõe estar presente naquelas realidades das quais muitos fogem, das quais muitos renegam, ou que são somente terras de passagem, fronteiras que geram medo e insegurança.
O enraizamento supõe respeito para com toda realidade, amar a terra concreta tal como ela é, como Jesus que, na Encarnação, foi semeado naquela terra dominada e excluída da Palestina.
Foi no enraizamento do chão daquele povo que Jesus foi se humanizando e abrindo-se à novidade do Reino do Pai que tudo transforma. Assim expressa Jesus de si mesmo quando se comparou com a videira plantada na terra de Israel.
É preciso deixar-se semear não só onde a terra já está preparada durante gerações, mas também nas margens da realidade, na dureza das terras sem arar, cheias de pedregulhos e de espinhos. Não podemos fugir da realidade que temos de arar, semear e cultivar com sua dureza e com seu encanto.

Texto bíblico:  Mt 13,1-23

Na oração:
Uma vida que se enraíza, é uma vida firme, consistente.
Por outra parte, as raízes na planta, são as que se introduzem na terra e crescem em sentido contrário do tronco, servindo-se como sustentação. Graças a elas pode absorver o alimento necessário para seu crescimento.
- Quais são e onde estão as raízes nas quais seu coração se alimenta?

- Onde apoia sua vida? Quê é o que a sustenta?

31 dias com Santo Inácio de Loyola – Dia 15

Dia 15: As duas bandeiras


Jesus distinguia enfaticamente o seu caminho do caminho do mundo: “Aquele que não está comigo está contra mim” (Lucas 11,23). Santo Inácio nos ajuda a aplicar isso a nós mesmos em uma meditação chave nos Exercícios Espirituais chamado “Meditação sobre as duas bandeiras”.

Seguir Jesus ou seguir o caminho do mundo
Todos os discípulos têm que escolher por onde vão seguir: os valores de Jesus e do Evangelho ou os valores do mundo. Não importa em que estado de vida o Espírito nos atraiu, uma vez que somos batizados e confirmados, somos chamados a permanecer na companhia de Jesus, sob sua bandeira.

Começamos a nos mover sob a bandeira de Jesus quando nos juntamos a ele na convicção viva de que tudo o que temos e somos é o dom de Deus. Por muito ou pouco que tenhamos, dizemos com gratidão: “Veja tudo o que Deus me deu”! Então, a busca de como ajudar os necessitados torna-se uma preocupação diária. E através de uma vida de amor e serviço, o Espírito nos leva a viver com mansidão e humildade como o Senhor viveu, qualquer que seja a nossa profissão ou missão.

O caminho do mundo é muito diferente. O ponto de partida é a lógica do acúmulo de riqueza. Na lógica materialista do mundo as pessoas dizem: “Veja tudo isso que tenho”. Quando o caminho do mundo se abre diante de uma pessoa, ela tende a mudar o foco e buscar nas coisas a sua satisfação. Com o tempo, você se convence de que é o centro do seu mundo. É apenas uma questão de tempo para cair na perspectiva do egocentrismo.

Três formas de tender a abraçar a bandeira do mundo 
A bandeira do mundo é tão convidativa para os discípulos de Cristo quanto para qualquer pessoa. De certa forma, mesmo depois de ter feito uma escolha solene e ao longo da vida de seguir a bandeira de Cristo, temos que purificar nossa vida cotidiana da tendência para a bandeira do mundo. Essa tendência tem três formas: o secularismo do bem, a busca do prazer e o domínio das trevas.

Primeiro, o secularismo do bem. Certamente, há pessoas não cristãs que levam a vida de forma boa e aceitável. Mesmo os batizados podem viver de forma benignamente secular. Nós participamos de movimentos cívicos e ajudamos os necessitados porque é isso que nossos vizinhos fazem. Somos bons para nossas famílias e honestos no local de trabalho. Não há nenhum dano imediato nessa tendência, mas tampouco há algo além de um espírito secular, mesmo que as pessoas hoje chamem isso de espiritualidade.

A segunda tendência a abraçar a bandeira do mundo é a busca do prazer. Estamos cercados por pessoas que vivem o que São Paulo descreve como o caminho da carne. Aqueles que seguem esse caminho são o alvo predileto da publicidade, pois precisam ter tudo o que os outros têm agora, são escravos da moda. Seu lado menos adorável manifesta autoindulgência, luxúria, inveja, mas tudo visto como costumes sociais aceitáveis. A carne tem suas próprias leis, e aqueles que as seguem passam delas ao pecado.

A terceira tendência a abraçar a bandeira do mundo é sucumbir ao poder das trevas. Pense no caso de pai que forçou o filho adolescente a matar outro e depois a beber do seu sangue. Esse caso é um manifesto inequívoco do mal. Mas a maioria das obras das trevas não são tão claras. Ódio, vingança, violência, hábitos autodestrutivos... Estes florescem nos cantos sombrios do eu-humano-pecador.

No mais profundo do nosso coração, podemos abominar as trevas e passar para a luz. Mas na vida cotidiana, podemos nos encontrar no crepúsculo do secularismo benigno ou sob o domínio dos impulsos da carne. Só encontraremos segurança na bandeira de Cristo se resolutamente começarmos tudo com gratidão a Deus e continuarmos observando cada uma das nossas ações e a razão que nos leva a agir.

Fonte: Adaptação livre do site Ignatian Spirituality, a partir de um trecho do livro “Making Choices in Christ” (Fazendo escolhas em Cristo) de Joseph A. Tetlow, SJ.

31 dias com Santo Inácio de Loyola – Dia 14

Dia 14: Encontrando Deus na vida diária

No vídeo a seguir Karen Beattie, autora do livro Rock Bottom Blessings (Fundamento das bênçãos) fala sobre sua experiência em rezar o Exame Diário, o que a ajuda ser mais consciente de Deus.


Segundo a autora, a busca diária de um encontro com Deus, como um exercício, permite estarmos mais habituados a perceber que Deus age no ordinário da vida, e se revela nas coisas simples e pequenas.