sexta-feira, 24 de julho de 2026

Buscar o tesouro e a pérola que somos

Texto do Pe. Adroaldo Palaoro, sj como sugestão para rezar o Evangelho do 17º Domingo do Tempo Comum (Ano A).

“O Reino dos céus é como um tesouro escondido no campo...”, “é como um comprador que procura pérolas preciosas” (Mt 12,44-45)

 

O evangelho deste domingo nos propõe as três últimas parábolas do capítulo 13 de Mateus.

tesouro e a pérola são dois profundos símbolos que tem uma mesma mensagem, mas com matizes significativos. Uma primeira diferença é que, no primeiro caso, o encontro é fortuito. E, no outro, é consequência de uma busca. Outra diferença é que na primeira parábola identifica-se o Reino com o tesouro, mas na segunda identifica-se com o comerciante que busca pérolas. As duas situações são vividas com um grau de incerteza. Os dois se arriscam a dar o passo, desfazem-se de tudo e investem na nova descoberta, apesar de não contar com segurança absoluta.

Quando se descobre aquilo que é valor maior, as demais coisas se tornam relativas e “virão por acréscimo”. Aqui não se trata de uma descoberta racional, mas de uma experiência profunda e vida.

Há dois matizes interessantes que nos fazem pensar. O primeiro é o abismo que existe entre o que os dois personagens têm e o que descobrem. O segundo é a alegria despertada pela surpresa encontrada.

Muitas vezes, em nossa vida espiritual, não damos um passo porque não temos encontrado o tesouro entre os dons que já possuímos. Sem esta descoberta, tudo o que façamos para alcançar uma vivência cristã autêntica, será mera programação e, portanto, inútil. Nada vamos conseguir se previamente não descobrimos o “tesouro que somos”. Nosso principal empenho será tomar consciência dessa Realidade. Quando a descobrimos, nossa vida adquire sentido e praticamente tudo se re-ordena.

Um antigo relato oriental nos ajuda a compreender o sentido das duas parábolas deste domingo: quando os “deuses” criaram o ser humano, puseram nele uma faísca de sua divindade; mas o ser humano fez mal uso desse dom e decidiram tirá-la. Reuniram-se em grande assembleia para ver onde podiam esconder esse tesouro que lhe haviam dado. Um disse: “vamos colocá-lo no alto da montanha”. Um outro, porém, replicou: “não, ele acabará escalando a montanha e o encontrará’. Outro sugeriu: “vamos escondê-lo nas profundezas do mar”. Mas alguém não se convenceu disso: “não, ele terminará descendo ao mais profundo e o descobrirá”. Por fim, um terceiro disse: ‘já sei onde poderemos escondê-lo: no mais profundo do seu coração; ali nunca o buscarão’.

As duas pequenas parábolas de hoje nos remetem a uma questão, básica e universal, que acompanha todo ser humano: “qual é o “tesouro” de minha vida? Onde estou investindo minhas energias e criatividade? O que dá sentido à minha existência e é capaz de plenificar meu coração?”

Essa “aspiração essencial”, que habita o coração humano, é a que nos converte em “buscadores”.

E o que é que, consciente ou inconscientemente, estamos buscando na vida?

As imagens do tesouro e da pérola não se referem a algo “separado” que, a partir de fora, viria dar sentido à nossa existência. O tesouro e a pérola é o que já somos, embora ainda não os tenhamos descoberto. Em outras palavras, o “buscador é o buscado”.

Na realidade, o que andamos buscando é o nosso “eu verdadeiro”, o “eu profundo”, a “identidade original”. Nesse sentido, só o que nos faz mais humanos, e na medida em que nos faça mais humanos, plenificará nossa existência. O dia em que isso acontecer, vibraremos de alegria e seremos capazes de renunciar a outros valores, critérios e expectativas que se revelavam superficiais e passageiros.

Jesus revelou a presença divina do Pai dentro dele. Este é o principal dogma cristão: “Eu e o Pai somos um”. À luz desta afirmação, o tesouro ou a pérola é o Deus mesmo presente e atuante em cada um de nós. Ele é a verdadeira Realidade que somos, e que são todos os outros. O que há de Deus em nós é fundamento de todos os valores. Quando as religiões esquecem isto, se convertem em ideologias escravizantes. O tesouro e a pérola não só representam grandes valores, mas uma realidade que está mais além de tudo o que damos valor. Aquele que os encontra não despreza os outros valores. Deus não se contrapõe a nenhum valor, senão que potencia o valor de tudo. Apresentar a Deus como contrário a outros valores é torná-lo um ídolo.

Por isso, segundo Jesus, o que nos faz mais feliz é descobrir a plenitude que já somos; tal descoberta alimenta nossa confiança, reacende a alegria e o prazer por viver, mobiliza nosso espírito de busca e nos faz criativos.

Ter claro que somos o tesouro supremo, a pérola mais preciosa, nos permite dar valor ao que de verdade somos sem limites. Não se trata de desprezar o resto, mas de ter claro o que vale verdadeiramente. O “tesouro” nunca será incompatível com todos os demais valores que nos ajudam a ser mais humanos. Devemos sempre ter claro onde está o valor supremo e que valores são relativos ou falsos.

O tesouro ou a pérola não é algo acidental que podemos ter ou não ter; é nossa essência.

Sejamos ou não conscientes disso, existir implica “buscar”; somos por essência, seres buscadores, em contínuos deslocamentos. Nesses percursos, pode acontecer todo tipo de atitudes que vão desde a apatia, o desespero até a paixão ansiosa.

Somos seres necessitados e carentes; ansiamos por uma plenitude e por um sentido existencial. Por isso, muitas vezes, começamos a dirigir nossa busca para o exterior; na ilusão de que deve existir “algo”, em algum lugar, que satisfaça nossa necessidade e sacie nosso desejo. No entanto, toda essa busca desembocará na frustração, pois, sem perceber, nos equivocamos de direção: não há nada “aí fora” capaz de saciar nossa fome e sede de plenitude.

Isto explica o fato de que, chegado a um momento determinado, depois de sofrer diferentes frustrações e atravessar diferentes crises, nos perguntamos se não será necessário mudar o olhar, dirigindo-o para o nosso próprio interior. Nesse momento é quando iniciamos o chamado “caminho espiritual” (ou, simplesmente, profundo). É o caminho de “volta à casa”, onde está escondido o verdadeiro “tesouro”, que não é diferente daquilo que já somos. 

O tesouro sempre esteve aí, no terreno interior, mas éramos incapazes de reconhecê-lo. Não é preciso conquistá-lo, mas simplesmente descobri-lo. “Caímos na conta” daquilo que realmente somos, para além das aparências com as quais nos manifestamos.

E o que somos, o que alenta, impulsiona, sustenta e constitui nossa pessoa, é o que ilumina e sustenta nosso ser e nosso agir, nossas opções e o caminho a percorrer. À luz da nossa essência, passamos a ser transparência e plenitude da Presença d’Aquele que “habita” tudo e todos. Somos “seres habitados”: só essa descoberta fará desaparecer nossa ignorância original e a ansiedade insaciável. E então compreenderemos a sabedoria contida nas palavras de Nisargadattsa: “Deixa de buscar; deixa-seencontrar”.

O tesouro e a pérola, quando buscados, justificam, com razões de sobra, o esforço e a recompensa do encontro. Vale a pena buscar o que é importante e encontrar aquilo que responde às expectativas mais profundas da busca. O desejo do encontro é força determinante para se manter acesa a chama da dinâmica da busca. 

Assim, no caminho do seguimento de Jesus, a busca é um dinamismo determinante da mente e do coração de cada um. Aquele que busca, movido por um espírito de aventura e por uma causa, quando encontra, vibra de alegria. Somos continuamente desafiados diante da grandeza da vida. 

Por isso, buscar torna-se um hábito de vida.

Não é a busca de uma coisa qualquer. Busca-se pela força do amor. 

Só o amor faz buscar o que vale a pena encontrar. Quem busca por amor encontra o essencial, o tesouro e a pérola.

 Consagrada para amar: Evangelho 27/07/2014 - O Reino dos Céus é um tesouro

Texto bíblico:  Evangelho segundo Mateus 13,44-52

 

Na oração: 

Por que tantos cristãos “piedosos” vivem fechados em suas práticas religiosas com a sensação de não terem descoberta nelas nenhum “tesouro”? Onde está a raiz última dessa falta de entusiasmo e alegria em muitos ambientes de nossa Igreja, incapaz de atrair para a essência do Evangelho tantos homens e mulheres que vão se afastando dela?

- Seu coração é portador da força insubstituível da busca; o que você está buscando?

- O que é o “tesouro” ou a “pérola” em sua vida pelo qual vale a pena investir o melhor de suas energias?

Pérolas Inacianas - Dia 24: Companheiros de Jesus

As pérolas inacianas da quarta e última semana de julho (Dias 24 a 31) vão abordar os desdobramentos da liderança e missão de Inácio de Loyola, bem como seu legado para a espiritualidade em nossos dias. Eis a nossa vigésima quarta pérola:

Uma certa vez Inácio disse que lhe parecia ver Cristo com a cruz às costas e o Pai Eterno junto dele que lhe dizia: “Quero que tomes este por teu servidor”. E assim Jesus o tomava e dizia: “Quero que tu nos sirvas”. E com isto, tomando grande devoção ao nome de Jesus, quis que a congregação fosse chamada Companhia de Jesus.  (Santo Inácio de Loyola - Autobiografia, 96)

 

Inácio não começou sua missão sozinho. Na Universidade de Paris, ele reuniu ao seu redor um grupo de homens brilhantes e diversos, como Francisco Xavier e Pedro Fabro, que se tornaram “amigos no Senhor”. O que os unia não era a semelhança de personalidade, mas a experiência comum dos Exercícios Espirituais e o desejo ardente de gastar a vida por Cristo. Assim nasceu a Companhia de Jesus.

A fé cristã não é um projeto solitário. Precisamos de companheiros de jornada que corram conosco, que nos corrijam com amor e que nos sustentem quando as nossas forças falharem. A comunidade nos protege do isolamento e do egoísmo, transformando um grupo de indivíduos em um corpo apostólico unido, capaz de mover montanhas e transformar a sociedade.


Amigos ou Discípulos? - ADIBERJ

 

Para colocar em prática hoje:

Reserve um tempo do seu dia para fazer memória de pessoas amigas que foram companhia e suporte em diferentes momentos da sua vida. Envie uma mensagem ou faça uma ligação para uma dessas pessoas que tem apoiado a sua caminhada espiritual e humana. Valorize quem lhe faz “companhia”.

 

-- Texto revisado com auxílio da ferramenta Gemini

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Pérolas Inacianas - Dia 23: Encontrar Deus em todas as coisas

“Devemos buscar o Senhor em todas as coisas, conversando com Ele e retendo Seu amor no coração.” (Santo Inácio de Loyola - Exercícios Espirituais, 236)

Santo Inácio rompeu com a ideia de que Deus só é encontrado no silêncio dos mosteiros ou dentro das igrejas. A espiritualidade inaciana nos ensina a ser contemplativos no meio do caos cotidiano. Deus habita nas nossas relações, no trânsito, nos prazos do escritório, na beleza da natureza e no rosto dos que sofrem. O mundo inteiro é o templo do Senhor, e cada instante carrega uma densidade sacramental.

Para encontrar Deus em todas as coisas, precisamos treinar os nossos “olhos da fé”. Isso exige atenção plena ao momento presente. Quando aprendemos a enxergar a assinatura divina na rotina diária, a barreira entre o “sagrado” e o “profano” desaparece. O nosso trabalho se transforma em oração encarnada e a vida ganha uma nova e luminosa profundidade.

Deus é Onipresente? Ele está em Todo o Lugar? » Deus te Abençoe


Para colocar em prática hoje:

Durante o seu trajeto ou trabalho hoje, faça uma pausa de 30 segundos, olhe ao redor e pergunte-se: “Como Deus está se manifestando neste exato momento?”.

 

-- Texto revisado com auxílio da ferramenta Gemini

Pérolas Inacianas - Dia 22: Magis

"Não o muito saber farta e satisfaz a alma, mas o sentir e saborear as coisas internamente." (Santo Inácio de Loyola - Exercícios Espirituais, 2)

O termo latino Magis significa “mais”, “melhor” ou “excelência”, mas não no sentido de competição ou perfeccionismo neurótico. Na tradição inaciana, o Magis é um apelo à generosidade. É a busca constante por responder à pergunta: "O que posso fazer a mais por Cristo e pelos irmãos?". É o antídoto perfeito contra a mediocridade espiritual, o comodismo e o famoso “já fiz a minha parte”.

Buscar o Magis é dar o melhor de si nas condições em que você se encontra hoje. Significa amar com mais intensidade, escutar com mais paciência, trabalhar com mais ética e servir com mais alegria. É entender que a nossa vida é um dom e que a melhor resposta a esse dom é a nossa entrega total e qualificada no serviço do Reino de Deus.

O Magis Inaciano

 

Para colocar em prática hoje:

Em qual área da sua vida você tem agido no “piloto automático” ou fazendo o mínimo necessário? Que pequeno passo concreto você pode dar hoje para buscar o Magis nessa situação?

terça-feira, 21 de julho de 2026

Pérolas Inacianas - Dia 21: Ad Majorem Dei Gloriam (AMDG)

O lema latino Ad Majorem Dei Gloriam (AMDG), que significa “Tudo para a maior glória de Deus” sintetiza toda a mística de Santo Inácio. Não se trata apenas de buscar a glória de Deus, mas a maior glória. Isso significa que as nossas ações diárias, desde assinar um contrato importante até lavar a louça da cozinha, ganham um valor eterno quando são oferecidas e realizadas com a intenção pura de honrar o Criador e servir ao próximo.

Viver o AMDG nos liberta da busca obsessiva pelo aplauso humano e do orgulho pessoal. Quando trabalhamos para a glória de Deus, o sucesso não nos envaidece e o fracasso não nos abala, pois sabemos que a nossa recompensa e o nosso propósito estão guardados Naquele que nos chamou. Cada escolha deve passar pelo crivo da pergunta: "Isso glorifica a Deus?".

AD MAIOREM DEI GLORIAM "Ad Maiorem Dei gloriam ('para maior glória de  Deus', em latim), também conhecido pelo acrônimo AMDG, é o lema da  Sociedade de Jesus, cujos membros são comumente conhecidos

 

Para colocar em prática hoje:

Escreva a sigla “AMDG” em um papel ou no seu celular. Antes de começar sua principal tarefa de hoje, repita mentalmente: “Tudo para a maior glória de Deus”

 

-- Texto revisado com auxílio da ferramenta Gemini

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Pérolas Inacianas - Dia 20: Orar com a imaginação

"O primeiro preâmbulo é a composição vendo o lugar... ver com a vista da imaginação o lugar corpóreo onde está o que quero contemplar." (Santo Inácio de Loyola - Exercícios Espirituais, 46)

Para Santo Inácio, a imaginação não é uma distração na oração, mas um portal sagrado. Na contemplação inaciana, o leitor não é um mero espectador passivo do Evangelho, mas uma testemunha ocular. Somos convidados a entrar na cena bíblica: sentir o calor do sol da Galileia, ouvir o barulho das ondas no mar, observar os gestos de Jesus e escutar as Suas palavras como se tivessem sido ditas diretamente para nós hoje.

Essa metodologia engaja os nossos sentidos e emoções, tornando a Palavra de Deus viva e dinâmica. Ao nos colocarmos no lugar de um discípulo, do cego de Jericó ou de Marta e Maria, permitimos que Jesus interaja com as nossas próprias feridas e desejos. A oração deixa de ser um exercício estritamente intelectual e passa a ser um encontro de corações.


Imagem negativa de si mesmo é o principal fator que leva alguém a se sentir  solitário | Donna


Para colocar em prática hoje:

Escolha uma passagem curta do Evangelho hoje (como a cura de um cego ou a tempestade acalmada). Feche os olhos, imagine-se na cena por 5 minutos e perceba o que Jesus lhe diz nesse tempo de oração.


-- Texto revisado com auxílio da ferramenta Gemini

domingo, 19 de julho de 2026

Pérolas Inacianas - Dia 19: O Exame Diário de Consciência

"Supor que há em mim três pensamentos, a saber: um meu próprio (...) e outros dois que vêm de fora, um do bom espírito e o outro do mau." (Santo Inácio de Loyola - Exercícios Espirituais, 32)


O Exame Diário é a oração mais importante do método inaciano para quem vive na correria do mundo. Inácio insistia que, mesmo se os jesuítas não pudessem fazer longas meditações por causa do trabalho, eles jamais deveriam pular o exame de consciência. É uma pausa rápida, de 10 a 15 minutos ao final do dia, feita não para nos culparmos pelos erros, mas para sintonizarmos o nosso coração com a presença de Deus na nossa história real.

O método tradicional se resume em cinco passos simples: i. dar graças pelos benefícios recebidos; ii. pedir graça para conhecer os pecados e rejeitá-los; iii. pedir contas à alma desde o acordar até o presente; iv. pedir perdão pelas falhas; e v. propor uma emenda para o dia seguinte com a ajuda divina. É um espelho que nos ajuda a perceber onde fomos guiados pelo amor e onde nos deixamos levar pelo egoísmo.


EXAME DE CONSCIÊNCIA PARA JOVENS


Para colocar em prática hoje:

Hoje à noite, antes de dormir, desligue as telas e faça o Exame em 5 passos. O que foi o melhor e o pior do seu dia? Entregue ambos a Deus.


-- Texto revisado com auxílio da ferramenta Gemini

sábado, 18 de julho de 2026

Pérolas Inacianas - Dia 18: Na desolação, nunca fazer mudança

"Em tempo de desolação, nunca fazer mudança, mas estar firme e constante nos propósitos em que se estava no dia anterior à desolação." (Santo Inácio de Loyola - Exercícios Espirituais, 318)

Esta é a regra de ouro do discernimento inaciano. Quando estamos tristes, desanimados ou confusos, nossa capacidade de julgamento fica severamente alterada. Tomar decisões importantes ou abandonar projetos de vida na desolação é como pilotar um avião no meio de uma tempestade sem enxergar a pista: a chance de erro é imensa. O mau espírito usa a nossa fragilidade emocional para nos fazer voltar atrás nas escolhas que fizemos na luz.

A orientação de Inácio é clara: mantenha o rumo estabelecido. Se você decidiu começar um hábito saudável, iniciar um projeto ou assumir um compromisso com Deus quando estava em paz (na consolação), não mude de ideia só porque o entusiasmo sumiu. Aguarde a tempestade passar para reavaliar o caminho com a mente e o coração serenos.

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Para colocar em prática hoje:

Identifique uma decisão que você tomou recentemente. Você está pensando em desistir dela por cansaço ou por convicção real? Escolha perseverar hoje.


-- Texto revisado com auxílio da ferramenta Gemini

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Semente e fermento: dinamismos de vida que querem se expandir

 Texto do Pe. Adroaldo Palaoro, sj como sugestão para rezar o Evangelho do 16º Domingo do Tempo Comum (Ano A).

“O reino dos céus é como uma semente...; é como o fermento que uma mulher mistura na farinha”

 

Sabemos por experiência que as imagens e parábolas (mais que as ideias) são as que nos movem em todos os níveis, despertando e renovando a vida.

Assim, da passividade de ler e refletir, somos convidados a ser cada vez mais ativos, imaginando e rezando, através dasimagens parábolas; elas nos convidam a ir além delas mesmas para encontrarmos com nosso Deus. As imagens, símbolos e parábolas são a melhor linguagem para recolher, de alguma maneira, esta experiência, que transborda sobre os nossos conceitos e repercute nas dimensões mais profundas de nossa intimidade. Elas põem em movimento outras dimensões de nosso ser (além do entendimento), igualmente importantes para que a experiência da oração nos conduza a uma interioridade maior.

O uso de imagens e parábolas foi muito frequente na Bíblia. O próprio Jesus se revelou um grande artista na construção de parábolas. Através delas, Ele nos ajuda a “ver” no centro da realidade “o que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram e o coração humano não percebeu” (1Cor 2,9), ou seja, a realidade impensável do Reino de Deus no meio de nós, emergindo como dom.

Jesus, profundo conhecedor do ser humano, insiste muito no uso das imagens e parábolas como ativadoras da imaginação. Na realidade, grande parte dos relatos evangélicos nos coloca diante de cenas, imagens e realidades, despertando nosso potencial imaginativo e envolvendo-nos ativamente no “mistério”.

Em nossa imaginação se esconde uma fonte, rica e não aproveitada, de vida e de força.

O uso da imaginação, longe de ser uma fuga da realidade, nos ajuda a mergulhar com maior profundidade na realidade presente, para captá-la melhor e abordá-la com vigor renovado.

Para Jung a linguagem do interior é visual e não verbal. Por isso, as imagens, símbolos e parábolas são o meio para expressar emoções e significados que não podemos articular. Elas nos ajudam a continuar adquirindo novas experiências, a conservá-las e a comunicá-las.

Jung denomina “imaginação ativa” ao processo de “trabalhar” com as imagens e parábolas, para conseguir uma maior abertura a seu significado. Através dos diferentes tipos de imaginação ativa há uma aproximação ao eu mais profundo, onde habita Deus; chegar ao nosso “eu interior” é também encontrar-nos com Deus como fonte e centro de nosso ser.

Ser seguidor(a) de Jesus é isto; é entrar na dinâmica da semente e do fermento, tomar consciência de que somos pequenos e frágeis, mas também de que Deus pôs em nosso interior uma energia e uma vitalidade surpreendentes, puro dom do seu Espírito. E esta força é aquela que nos transforma e vai transformando a realidade que nos cerca, aquela que vai fazendo presente o Reino, por obra do mesmo Espírito, não por nossas conquistas ou voluntarismos. Na escuridão da terra a semente se prepara, se concentra, se entrega..., para a explosão de vida; no escondimento da massa de trigo o fermento revela-se como força de crescimento.

Quando Jesus apresenta seu ensinamento através de parábolas não pretende oferecer enigmas difíceis de resolver nem mensagens ocultas que é preciso desvelar. Ele busca oferecer esperança e sentido àqueles que sentem suas vidas destruídas, se sentem cansados e marginalizados. Com uma linguagem instigante e simples, Jesus fala da ação amorosa e do Pai na história das pessoas que, a partir de suas vivências cotidianas, o sentem como uma presença próxima e providente, cheia de ternura e cuidado: algumas sementes, um pouco de fermento, um tesouro escondido... São imagens que falam de confiança numa vida diferente, que mostram um Deus que é misericórdia, paciência e perdão e que só quer salvar seus filhos e filhas.

Além disso, suas parábolas são um convite a comprometer-se com a mudança, tanto interna quanto externa, a estar atentos aos sinais que indicam o caminho, a sustentar-se com paciência ativa nos processos que transformam, como o fermento, a semente... 

Se todas as parábolas de Jesus deixam transparecer, como pano de fundo, o verdadeiro rosto de Deus, na parábola do joio e do trigo Ele nos revela um modo original do seu Pai agir, em contraste com o nosso modo mesquinho habitual de proceder. O modo de agir de Deus é um chamado desconcertante que diz respeito a todos e que, ao mesmo tempo, nos faz ver que, provavelmente, o “trigo” e o “joio” estão presentes e crescem juntos no interior de cada um de nós.

“Deixai-os crescer juntos até a colheita!” Quão difícil é respeitar o “tempo”; normalmente falta-nos paciência e respeito ao ritmo de cada pessoa. Deixar crescer junto é um chamado a confiar pacientemente em que tudo está envolvido pela presença providente de Deus que, a seu devido tempo, fará brilhar a verdade, a bondade e a justiça.

Quantas vezes cremos que estamos semeando boa semente, em nosso ambiente, em nossas famílias e comunidades e, inclusive, em nós mesmos. No entanto, que descobrimos que está crescendo de maneira sorrateira e sem nosso consentimento? Por mais sinceros e justos que sejamos, aos poucos vamos tomando consciência da presença das “ervas daninhas” da mentira, da intolerância, da mesquinhez... que acabam abafando as boas sementes que nos habitam e que querem se expandir (a compaixão, o amor, a bondade...)

Também as imagens da pequenina semente de mostarda e do fermento misturado na massa são inspiradoras e apontam para as dimensões mais profundas em nossa vida. Ser fermento na massa não é ser a “cereja do bolo”; a semente, quando mergulhada no chão escuro da terra, desaparece, e não a vemos mais até que se transforme em árvore. O fermento desaparece na massa. E a “massa” é a nossa realidade existencial, atravessada por forças divinas misturadas com as fragilidades humanas; somos argila que carrega o “Sopro do Espírito”. Somos chamados a descer em nossa “massa”, a deixar que a semente da Palavra se misture e seja amassada nela, até “desaparecer” ..., para fermentar tudo a partir de dentro.

Os ouvintes de Jesus sabiam que o fermento fica “escondido”, mas não permanece inativo. De maneira silenciosa e oculta vai fermentando e fazendo crescer a massa do pão. Assim está Deus atuando a partir do interior da vida. Ele não se impõe a partir de fora, mas nos transforma a partir de dentro; não domina com seu poder, mas nos atrai com seu amor para o bem; não força a liberdade de ninguém, mas se mistura com nossa condição humana para tornar mais ditosa nossa vida. 

Assim também devemos nós agir se quisermos abrir caminhos para o Reinado do Pai.

O fermento é pouco em comparação com a grande quantidade de farinha de trigo, mas ele fermenta tudo. Muitas vezes, o Reino de Deus não é visível nem perceptível, ele é uma instância interior que não podemos segurar em nossas mãos. Mesmo assim, podemos saber que Deus nos envolve completamente e cabe a nós permitir que o fermento do Espírito divino atravesse em todas as dimensões da nossa existência humana. 

Então, tudo se transformará em pão que nutre, nosso espírito dará fruto, não só para nós mesmos, mas para os outros. Nossa vida não mais será determinada por medos, mas pela presença providente de Deus. 

E todo nosso ser se tornará poroso, permeável à ação do Pai. Assim, nós daremos sabor à vida e a beleza divina transparecerá no nosso modo de ser e viver; seremos mais verdadeiros e felizes.


Plantando sementes… dando os frutos

 

Texto bíblico: Evangelho segundo Mateus 13,24-43

 

Na oração:

Na intimidade com o Senhor, vamos aprendendo a viver a fé de maneira humilde, sem fazer muito ruído nem dando grandes espetáculos. Já não cultivaremos desejos de poder e prestígio; não gastaremos nossas forças em grandes operações de auto-imagem. Buscaremos o essencial; caminharemos na verdade de Jesus.

- Seguindo seus passos, buscaremos viver como a semente ou como o fermento de vida sadia que se dilui humildemente para dar sabor evangélico e fazer crescer os dinamismos de vida, em nós mesmos e nos outros.

- Contagiaremos em nosso entorno o estilo de vida de Jesus e irradiaremos a força inspiradora e transformadora de seu Evangelho. Passaremos a vida fazendo o bem, como Ele.

Pérolas Inacianas - Dia 17: O que é a Desolação Espiritual?

"Chamo desolação (...) a escuridão da alma, a perturbação nela, a moção para as coisas baixas e terrenas." (Santo Inácio de Loyola - Exercícios Espirituais, 317)

Se a consolação é o sol, a desolação é a tempestade na alma. Trata-se daquele estado de tibieza, tristeza, aridez e sensação de afastamento de Deus. Na desolação, a oração parece pesada, as dúvidas aumentam e a tentação de desistir dos bons propósitos bate à porta. Inácio de Loyola, que viveu crises intensas em sua temporada em Manresa, compreendia perfeitamente esse estado e nos deixou regras claras para não nos perdermos no meio da névoa.

O primeiro passo para vencer a desolação é entender que ela faz parte da experiência humana e espiritual. Deus não nos abandonou; muitas vezes, Ele permite a aridez para testar nossa fidelidade e nos amadurecer. Em vez de nos desesperarmos, Inácio nos convida a resistir com paciência, lembrando que a luz sempre volta a brilhar após a noite escura.

A Noite Escura da Alma: O que é e como atravessar os períodos de desolação  espiritual - Valter Cichini Jr:. Psicanalista


Para colocar em prática hoje:

Caso sinta momentos de desânimo ou preguiça espiritual ao longo do dia, não corte suas orações ou compromissos. Pelo contrário, estenda o seu momento de oração por mais um minuto como um ato de resistência.


-- Texto revisado com auxílio da ferramenta Gemini