segunda-feira, 6 de julho de 2026

Pérolas Inacianas - Dia 7: O estudante tardio

“Depois que o peregrino entendeu que não era vontade de Deus que ficasse em Jerusalém... deliberou consigo estudar algum tempo para poder ajudar as almas.” (Santo Inácio de Loyola - Autobiografia, 50)

Com mais de trinta anos de idade, sem dinheiro e vindo de um passado de nobreza, Inácio tomou uma decisão radical: voltou a Barcelona para aprender gramática latina básica. Ele sentava-se nos mesmos bancos escolares ao lado de crianças pequenas para aprender a ler e escrever corretamente. O homem que já tinha vivido profundas experiências místicas humilhou seu orgulho intelectual porque compreendeu que, para servir bem às pessoas (“ajudar as almas”), a boa intenção não bastava; era preciso preparar-se com excelência.

O Inácio estudante nos deixa uma lição poderosa sobre a humildade e a necessidade de formação contínua. Na vida espiritual e apostólica, o zelo sem competência pode causar estragos. Estudar, ler, aprimorar nossas habilidades profissionais e teológicas é, em si, um ato de amor e culto a Deus. A santidade inaciana não rejeita a inteligência, mas a coloca inteiramente a serviço do próximo.

Para colocar em prática hoje:

Como está a sua formação humana e espiritual? 

Procure dedicar pelo menos 15 minutos do dia de hoje para estudar algo construtivo: um trecho do Catecismo, um documento da Igreja (a exemplo da encíclica “Magnifica humanitas” do Papa Leão XIV), um livro de espiritualidade ou até um conteúdo técnico que melhore a qualidade do seu trabalho profissional.


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Texto revisado com auxílio da ferramenta Gemini

Pérolas Inacianas - Dia 6: O peregrino em Jerusalém

"Tinha o firme propósito de ficar em Jerusalém, visitando sempre aqueles lugares santos... mas o veredito foi que não ficasse." (Santo Inácio de Loyola - Autobiografia, 45-50)

 

Inácio finalmente realizou seu grande sonho de chegar a Jerusalém como um peregrino pobre e descalço. Seu desejo mais profundo era passar o resto de seus dias ali, convertendo os infiéis e morando na terra de Jesus. No entanto, por razões de segurança e ordens das autoridades eclesiásticas locais (sob pena de excomunhão), ele foi obrigado a ir embora poucas semanas depois. O plano que parecia o mais santo e perfeito aos seus olhos foi frustrado pela realidade.

Essa “frustração santa” ensinou a Inácio o verdadeiro significado da obediência e da santa indiferença. Às vezes, nós nos apegamos tanto aos nossos bons projetos e à nossa forma de servir a Deus que nos esquecemos de que a vontade Dele pode se manifestar justamente na interrupção dos nossos planos. O peregrino aceitou o “não”, recolheu seus poucos pertences e voltou para a Europa, entendendo que o seu altar não era uma cidade geográfica, mas o mundo inteiro onde Deus o chamasse.

SANTO INÁCIO DE LOYOLA | CNBB Nordeste 1

Para colocar em prática hoje:
Faça um exercício de pensar em um bom projeto ou expectativa sua que deu errado recentemente. Em vez de se lamentar, faça o exercício inaciano de desapegar-se do resultado e reze: “Senhor, eu queria este caminho, mas aceito a Tua providência. Mostra-me onde queres que eu dê frutos agora.”


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Texto revisado com auxílio da ferramenta Gemini

sábado, 4 de julho de 2026

Pérolas Inacianas - Dia 5: A iluminação do Cardoner

"Estando ali assentado, começaram-se-lhe a abrir os olhos do entendimento... com uma iluminação tão grande que lhe parecia ser outro homem." (Santo Inácio de Loyola - Autobiografia, 30)


Ainda em Manresa, enquanto caminhava e se sentava às margens do Rio Cardoner, Inácio viveu a maior experiência mística de sua vida. Não foi uma visão de anjos ou algo extraordinário, mas sim uma profunda clareza intelectual e espiritual. Ele relata que, naquele momento, compreendeu a criação, a fé e a própria vida com uma lucidez completamente nova. Ele não aprendeu coisas novas, mas passou a ver todas as coisas antigas de um jeito inteiramente novo, banhado pelo amor de Deus.

A iluminação do Cardoner é a raiz da famosa expressão inaciana “encontrar Deus em todas as coisas”. Ela nos ensina que a vida espiritual não nos afasta da realidade concreta, mas nos dá "olhos novos" para enxergar a assinatura do Criador no trabalho, na natureza, na dor e na alegria. A nossa rotina não muda, mas a nossa forma de habitar e santificar essa rotina é completamente transformada pela percepção da presença divina.


31 de julio: san Ignacio de Loyola, el místico a orillas del río Cardoner -  Alfa y Omega

 

Para colocar em prática hoje:

Treine o seu olhar para o Cardoner no seu cotidiano. Durante o dia de hoje, force-se a parar por um minuto em um momento comum (lavando a louça, respondendo um e-mail ou caminhando na rua) e faça o exercício consciente de perceber que Deus está ali, sustentando aquele exato instante por amor a você.

 

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Texto revisado com auxílio da ferramenta Gemini

Pérolas Inacianas - Dia 4: A crise de Manresa

"Vinha-lhe muitas vezes um pensamento com grande ímpeto, que o atribulava, mostrando-lhe a dificuldade de sua vida... 'E como poderás tu sofrer esta vida setenta anos que hás de viver?'" (Santo Inácio de Loyola - Autobiografia, 20)

 

Após Montserrat, Inácio planejava uma breve parada na cidade de Manresa, mas acabou ficando lá por quase um ano. Esse período foi marcado por uma terrível crise interior. Ele foi assolado por escrúpulos obsessivos, acreditando que seus pecados não haviam sido perdoados, e chegou a cair em uma depressão tão profunda que pensou em suicídio. Foi no abismo dessa noite escura da alma que ele aprendeu, pela dor, a não confiar em seus próprios sentimentos flutuantes, mas na misericórdia absoluta de Deus.

Se você já vive a espiritualidade ou está passando por um momento de deserto espiritual, a crise de Manresa é um farol. Inácio nos ensina que os momentos de dúvida, desespero e silêncio de Deus não são sinais de fracasso espiritual, mas de purificação. É na crise que quebramos a ilusão de que controlamos nossa própria santidade e aprendemos a nos lançar, de braços abertos e sem garantias, nos braços do Pai.


A verdadeira santidade é a humanidade vivida e reconhecida - Colégio dos  Jesuítas

 

Para colocar em prática hoje:

Se você está vivendo um período de desânimo, cansaço ou dúvida na fé, repita ao longo do dia a jaculatória que Inácio aprendeu a rezar no seu pior momento: "Socorrei-me, Senhor, que não acho nenhum remédio nos homens nem em criatura alguma!". Confie que a tempestade vai passar.


- Texto revisado com auxílio da ferramenta Gemini

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Mansidão e humildade, atributos que nos humanizam

Texto do Pe. Adroaldo Palaoro, sj como sugestão para rezar o Evangelho do 14º Domingo do Tempo Comum (Ano A).

“... sou manso e humilde de coração” (Mt 11,29)

 

Jesus nos diz muito pouco, em primeira pessoa, sobre si mesmo. O que sabemos dele descobrimos através dos olhos de um cego que vê, de um paralítico que corre a contar aos outros sobre Ele, de uma mulher que vibra diante da bondade d’Ele...

Mas, no evangelho deste domingo, através de uma explosão de profunda gratidão, Jesus deixa transparecer sua essência; manifesta sua verdadeira identidade através destes dois atributos, tão humanos e divinos: mansidão e humildade.

Jesus, ao revelar sua identidade como “manso e humilde de coração”, está manifestando estas virtudes como sintonia com o sentir e atuar do Deus Pai. Seus discípulos são chamados a romper o círculo de ódio, intolerância, cólera, agressão, prepotência, domínio, arbitrariedade; são convidados a abandonar “os jogos de poder” e sua dinâmica de revide e vingança. Para isso é preciso ativar as bem-aventuranças da mansidão e da humildade, escondidas nas profundezas do coração.

Somos formados(as) no discipulado de “Jesus manso e humilde de coração”. Este é um aprendizado que se dá no decorrer de toda uma vida de seguimento do Bom Pastor. Ao referir-se a si mesmo como manso e humilde de coração, Jesus nos oferece a graça de uma profunda identificação com Ele e um dinamismo constante de transformação pessoal e comunitária.

mansidão parece ser a chave de leitura de todas as bem-aventuranças; é a característica existencial que dá estilo e autenticidade ao ser puro de coração, promotores de paz, misericordiosos, etc...

A bem-aventurança da mansidão é o gesto profético para o diálogo e a busca de soluções diante dos conflitos atuais. “A finalidade do caminho espiritual está na pessoa mansa”.

“Mansos” – em grego “praeis” – não são aqueles que buscam evitar a prepotência e o orgulho (como uma atitude meramente interior), senão aqueles que se despojam de todo poder diante dos olhos do mundo; são aqueles que não oprimem a ninguém, nem tiram partido (de sua situação), nem pensam na vingança nem na violência para alcançar seus objetivos. São os pacientes e generosos de coração.

Manso e humilde de coração, portanto, é quem vive distanciado de seu ego e nem se identifica com ele.

É manso, sobretudo, quem se apresenta diante de Deus, de mãos vazias. A pessoa mansa é alguém que não confia no poder humano, mas entrega-se nas mãos de Deus.

Só quem se entrega ao Pai pode ser manso com seu irmão. Apresenta-se, então, diante dos outros, desarmado, não como quem quer levar vantagem, mas como quem está disposto a “estar com os outros”. E nisso manifesta uma força diferente e misteriosamente eficaz: a força de carregar o peso dos outros, de lavar-lhes os pés, de estar disponível para os serviços...

mansidão é tão decisiva que só ela é capaz de transformar o coração do ser humano, tornando-o aberto para Deus e, ao mesmo tempo, transforma o duro coração de pedra no misericordioso coração de carne.

 “A raiz básica de nossa crise cultural reside na aterradora falta de ternura, de mansidão, de caridade e de cuidado de uns para com os outros, de todos para com a natureza e o nosso próprio futuro” (Boff).

Esta virtude, manifestada na bem-aventurança, é a forma mais delicada do amor, da suavidade, que é paciente e serviçal, não é egoísta, tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta...

A terra resiste ao violento; ela não pode se doar ao violento. Em Tagore, a não-violência é exercida sem esforço. Quando ele anda pelos campos, acaricia o solo. Ele tem uma espécie de doçura natural. A doçura é o respeito: é respeitar o que se toca, o que se vê, o que se escuta. A doçura é força, é o domínio sobre o instinto de violência que há dentro de si. Existe um grande segredo na doçura: ela é realmente uma bem-aventurança, um atributo humanizador que quebra toda pretensão do domínio sobre os outros.

mansidão está profundamente unida à humildade, a atitude mais importante para viver de maneira cristã. A paciência, como arte para a vida serena, também está emparentada com a mansidão.

A mansidão, a ternura, a humildade cristã ultrapassam a violência amarga e a insípida fraqueza. Elas revelam a solidez de um ser firme nos seus fundamentos, que acolhe o dom de sua vida e aceita a si mesmo, caminhando sempre para o melhor; é ser senhor de si, não para defender-se, mas para doar-se.

mansidão é a face externa ou o direito da humildade, como diz S. Bernardo: “é a humildade do exterior, assim como a humildade é a mansidão de dentro”. É um ser em estado de doação. É o despojamento pelo amor e o desejo do bem do irmão. Seu melhor sinal é que seu cuidado se dirige antes aos fracos, aos pequeninos, aos desamparados do que aos fortes e aos poderosos. Nunca faz carga sobre os infelizes e, tal como Jesus Cristo, é capaz de vencer o mal com o bem.

A mansidão, tal como a ternura, não é fraqueza, mas sinal de maturidade e liberdade interior; é um dos tantos valores com os quais o Senhor tem enriquecido a natureza humana, um dom presente em cada um.

Os mansos e humildes se destacam porque são senhores de si, e isto nos indica um nível sólido de maturidade e de equilíbrio. Não se deixam afetar pelos ventos da superficialidade, da vaidade e do prestígio.  Vivem uma pacífica solidez em si mesmos, sem necessidade de atacar nada nem a ninguém. Com muito pouco, tem tudo porque se possuem a si mesmos.

Vivem no instante presente, desfrutam e agradecem a vida. Experimentam que sua força está em sua debilidade, apoiado no centro indestrutível de seu eu sagrado, seu ser essencial que se sabe envolvido pela Presença. São o melhor exemplo do rosto amoroso de Deus, contemplativos na ação.

São pessoas que sorriem a partir do coração, que aprenderam a escutar e transmitem verdadeira paz.

Em definitiva, as pessoas mansas e humildes têm uma grande força interior na confiança de se sentirem nas mãos de Deus. Quem vive a mansidão leva a sério a afirmação: “Deus me ama imensamente; logo, deposito minha total confiança n’Ele”.

O manso e humilde de coração não enfrenta os outros como se fossem seus inimigos. Respeita-os e os valoriza porque sabe que também foram criados à imagem de Deus. Vivem com a expectativa de que sempre aprenderão algo mais, graças às experiências que Deus traz à sua vida. Mostram que o amor de Deus é para todas as pessoas, sem distinção.

Em contraposição ao orgulho dos mestres e entendidos de Israel, Jesus aparece oferecendo humildemente seu caminho: “pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”.

Jesus se dirige aos que estão abatidos e levam pesadas cargas impostas por uma religião centrada na lei e no templo. Há tantas cargas pesadas que continuam sendo impostas nos ombros de tantos inocentes, sobretudo por aqueles que se dizem “representantes” de Deus e que controlam as pessoas através da cultura do medo, das mortificações estéreis, do legalismo doentio, da culpa mórbida, da ameaça do “inferno” ...

É preciso aprender de Jesus a viver como Ele. Ele não complica nossa vida; pelo contrário, torna-a mais clara e mais simples, mais humilde e mais sadia. Oferece descanso. Não propõe nunca a seus seguidores algo que Ele não tenha vivido. Convida-nos a segui-lo pelo mesmo caminho que Ele percorreu. Por isso pode entender nossas dificuldades e nossos esforços, pode perdoar nossas fragilidades e erros, animando-nos sempre a nos levantar e a viver continuamente em clima de gratidão.

Basta ter o coração aberto para perceber o quanto “Deus é bom para conosco”, como nos envolve com ternura, sem esquecer-se das pequenas coisas, ajudando-nos assim a alcançar as grandes. 

Tudo é ocasião para contemplar, entre as cores cinzas da vida cotidiana, a cor do Amor de Deus.


MANSO E HUMILDE DE CORAÇÃO – Diocese Oliveira


Texto bíblico: Evangelho segundo Mateus 11,25-30

 

Na oração: 

Eis o tempo para agirmos com mansidão e humildade no palco da história sacudida pelos ventos do ódio, da intolerância, da vaidade! 

- É sobretudo no clima da oração que a gratidão nasce com naturalidade e espontaneidade nos corações mansos e humildes, nas pessoas conscientes de que aquilo que recebem não é por mérito ou retribuição. Tudo é gratuidade.

- Disse Jesus: “Venham a mim todos os que estão cansados e abatidos, e eu vos aliviarei” Quais são seus cansaços? O que os provoca: o trabalho pelo Reino ou seus interesses pessoais, seus egoísmos? Onde e como você busca alívio para meu cansaço?

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Pérolas Inacianas - Dia 3: O desapego em Montserrat

"Determinou deixar as suas vestes e vestir-se das armas de Cristo... foi passar a noite diante do altar de Nossa Senhora de Montserrat."  (Santo Inácio de Loyola - Autobiografia, 17-18)

 

Recuperado e decidido a mudar de vida, Inácio iniciou sua jornada como peregrino. Ao chegar ao famoso Mosteiro de Montserrat, ele realizou um gesto profundamente simbólico: confessou os pecados de toda a sua vida, despiu-se de suas roupas nobres de cavaleiro, entregou-as a um homem pobre e vestiu uma túnica rústica de saco. Naquela mesma noite, vigiou em oração diante da imagem da Virgem Negra, deixando ali sua espada e seu punhal.

Para nós, Montserrat representa o momento litúrgico do desapego. Mudar de vida exige espaço; não podemos abraçar o novo de Deus se nossas mãos continuam cheias das velhas seguranças, vaidades e ilusões de controle. Inácio nos ensina que a verdadeira liberdade espiritual nasce quando temos a coragem de identificar quais são as nossas "armaduras" modernas ( a exemplo do status, do apego à opinião alheia ou do orgulho) e as deixamos aos pés do Senhor.

Nos Passos de Inácio | Ano Inaciano

Para colocar em prática hoje:
O que você precisa deixar para trás para caminhar com mais leveza na presença de Deus? Identifique um apego material, um hábito nocivo ou uma atitude orgulhosa e faça o propósito firme de desapegar-se disso hoje, oferecendo essa renúncia em oração.


- Texto revisado com auxílio da ferramenta Gemini

Pérolas Inacianas - Dia 2: As leituras que transformam

 "Lendo a vida de Nosso Senhor e dos santos, pensava comigo: 'E se eu fizesse o mesmo que São Francisco e São Domingos?'" (Santo Inácio de Loyola - Autobiografia, 7)


Durante sua longa convalescença, Inácio pediu livros de cavalaria para passar o tempo, mas na casa de sua família só havia dois volumes disponíveis: A Vida de Cristo e a Legenda Áurea (a vida dos santos). Sem outra opção, começou a lê-los. Foi nesse tédio forçado que uma semente foi plantada: ele percebeu que as leituras mundanas o deixavam alegre no momento, mas seco e insatisfeito depois; já as leituras sagradas deixavam seu coração em paz, consolado e cheio de energia duradoura.

Este episódio marca o início do discernimento inaciano. Ele descobriu que aquilo que consumimos com nossa mente, seja um livro, uma série, as redes sociais ou conversas cotidianas, pode alimentar ou adoecer nosso interior. A espiritualidade inaciana nos convida a sermos guardiões da nossa atenção, percebendo o impacto real daquilo que deixamos entrar em nosso imaginário e como esses conteúdos afetam nossa paz interior no longo prazo.

Conheça a história de Santo Inácio de Loyola

Para colocar em prática hoje:
Faça uma pausa e analise o conteúdo que você consumiu nas últimas 24 horas (redes sociais, notícias, conversas). Como você se sente após esse consumo: agitado, ansioso e seco, ou inspirado, em paz e motivado a fazer o bem? 

Escolha ler ou assistir a algo que eleve seu espírito hoje.

 

- Texto revisado com auxílio da ferramenta Gemini

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Pérolas Inacianas - Dia 1: O Cavaleiro ferido

O sétimo mês do ano é o mês do nosso querido Inácio de Loyola. E nesse mês vamos revisitar e celebrar sua vida, seus escritos, seus ensinamentos e seu legado. Iniciamos hoje uma série de pérolas inacianas ao longo desse mês. As pérolas da primeira semana (01 a 07/07) abordarão a jornada de conversão de Inácio de Loyola, com foco na biografia de Inácio e como suas crises pessoais moldaram sua visão espiritual. A nossa primeira pérola está aqui:

"Até aos vinte e seis anos de idade, foi homem dado às vaidades do mundo e principalmente se deleitava no exercício das armas, com um grande e vão desejo de ganhar honra."  (Santo Inácio de Loyola - Autobiografia, 1)

 

Ninguém nasce "santo"! Antes de se tornar o mestre do discernimento espiritual, Íñigo de Loyola era um soldado ambicioso, focado em prestígio, vaidade e glórias humanas. Tudo mudou em 1521, na batalha de Pamplona, quando uma bala de canhão quebrou sua perna direita e despedaçou seus planos de futuro. No leito de dor, forçado a parar e a ficar imóvel por meses, ele começou a olhar para dentro de si e a perceber que os antigos sonhos de cavalaria já não preenchiam sua alma como antes.

 

Para quem já caminha na espiritualidade inaciana ou está descobrindo-a agora, este primeiro dia nos lembra que Deus se comunica conosco a partir da nossa realidade concreta, inclusive por meio das nossas crises e "balas de canhão" diárias. Aquilo que parece o fim de um plano (a exemplo de uma demissão, um término de relacionamento, uma doença ou uma frustração profunda...) pode ser, na verdade, o início de um caminho de autêntica conversão. A ferida de Inácio foi o ponto de ruptura necessário para que a graça divina entrasse e transformasse o cavaleiro orgulhoso no peregrino humilde.

Conheça a história de Santo Inácio de Loyola

Para colocar em prática hoje:
Olhe para a sua história recente. Qual foi a última "bala de canhão" ou grande imprevisto que desestruturou os seus planos? 

Em vez de focar apenas na dor da interrupção, tente silenciar o coração e perguntar: O que Deus está tentando me ensinar ou para onde Ele está me redirecionando através dessa mudança de rota?


- Texto revisado com auxílio da ferramenta Gemini

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Pedro e Paulo: duas “rochas vivas”, um só Fundamento

Apresentamos a seguir o texto do Pe. Adroaldo Palaoro, SJ, como sugestão para rezar o Evangelho da Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo.


“E vós, quem dizeis que eu sou?” (Mt 16,15)

 

Há indicações históricas de que já no séc. IV se celebrava uma festa em honra a S. Pedro e S. Paulo. Não é fácil descobrir as razões que levaram aqueles primeiros cristãos a unir em uma mesma celebração litúrgica duas figuras humanas tão diferentes. O mais provável é porque os dois foram martirizados em Roma durante a perseguição de Nero e quase ao mesmo tempo. Pode ser também porque suas sepulturas estivessem juntas durante muito tempo. É também provável que muito cedo se descobriu a complementariedade desses dois homens. De qualquer forma, são um claro exemplo de que personalidades tão diferentes, que inclusive discutiram duramente aspectos importantes da primitiva fé cristã, pudessem ser dois seguidores autênticos de Jesus.

Mas, desde sempre, Pedro e Paulo foram considerados como as colunas da Igreja. No caso de Paulo é tão evidente que alguns estudiosos chegaram a dizer que ele foi o verdadeiro fundador da Igreja, enquanto organização. Pedro é o personagem mais destacado em todo o NT. Mesmo assim, sabemos muito pouco de sua vida. Pelo contrário, Paulo é a pessoa mais bem documentada. É o único apóstolo do qual podemos fazer uma biografia quase completa.

O texto do Evangelho da festa de hoje nos ajuda a reler nossa vida. Ali afirma-se nossa identidade: temos um nome, que carrega algo sólido, firme, resistente, que não se desfaz com as adversidades existenciais (crises, fracassos...). A identidade nos é dada por aquilo que é consistente, seguro... no nosso interior e não pelo nome em si.

Nos evangelhos sinóticos, a pergunta sobre a identidade de Jesus ocupa um lugar destacado. Ela nos oferece as respostas do povo e da comunidade de discípulos, personalizados em Pedro.

Como seus seguidores, devemos continuar a nos perguntar “quem é Jesus?”. Aqui não se trata do conhecimento externo da pessoa de Jesus: quando e como viveu, quem são seus pais, em que cultura viveu, qual era seu entorno social e religioso; nem sequer se trata de conhecer e aceitar sua doutrina.

Nosso seguimento está fundamentado no Jesus que encarna o ideal do ser humano querido por Deus, Aquele que nos revela, ao mesmo tempo, quem é Deus e quem é o ser humano. Por isso, a pergunta que devemos responder é: “que significa Jesus, para mim?”

É preciso deixar muito claro que não se pode responder a essa pergunta se não nos perguntamos ao mesmo tempo: “quem sou eu?”. O encontro com a identidade de Jesus des-vela nossa própria identidade.

Na realidade, a pergunta pela identidade é a mais importante de todas aquelas que podemos nos fazer: “Quem sou eu?”A rigor, essa é a primeira e essencial pergunta. A resposta adequada à mesma nos liberta da ignorância, da confusão e do sofrimento. Faz-nos livres e nos possibilita viver na luz.

Porque o objetivo de nossa vida não pode ser outro que o de viver o que somos. E isso não é algo que devemos “alcançar”, “conseguir” ou “conquistar” ..., mas, simplesmente, reconhecer. Trata-se de cair na conta ou compreender quem somos. Ao compreender isso, emerge a plenitude, a sabedoria e a alegria.

Dito de outro modo: a causa de muitos sofrimentos existenciais é a ignorância ou desconhecimento de nossa identidade profunda. O grande místico cristão do século XIII, Mestre Eckhart, repetia essa expressão contundente: “Meu solo e o de Deus são o mesmo”. Em outras palavras: a Rocha é o divino que nos habita. 

No caminho do Seguimento de Jesus vamos tirando os véus que bloqueiam e obscurecem nossa visão, permitindo que aflore resplandecente nossa radiante identidade.  

Como seguidores(as) de Jesus Cristo, é no encontro com Ele que é “des-velada” (tirar o véu) nossa identidade verdadeira; a humanidade d’Ele faz emergir o que é mais nobre em nós: nossa humanidade.

Todo ser humano, para além de uma identidade externa, traz em si uma identidade não contaminada, uma identidade iluminante, uma identidade que se revela como reserva de bondade, amor, compaixão... Jesus dá o nome de “Rocha”, o fundamento sobre o qual se constrói uma vida.

Assim aconteceu com os dois grandes personagens que estamos celebrando neste domingo: Pedro e Paulo.

Duas identidades diferentes, uma única missão: prolongar e fazer chegar ao conhecimento de todos o modo de ser e de viver de Jesus. Para isso foi preciso que eles se encontrassem com a verdadeira identidade de Jesus. Ao mesmo tempo, o ser verdadeiro de Jesus fez transparecer o ser verdadeiro de cada um deles. Houve inclusive uma troca de nomes: Simão/Pedro e Saulo/Paulo.

Seus antigos nomes revelavam identidades atrofiadas: “petros” significava pedregulho, pedras que se esfarelam e não servem para o fundamento de uma casa; “Saulo” era um fanático cumpridor da lei judaica e perseguidor dos primeiros seguidores de Jesus.

A missão do cristão de ser “rocha” significa: ser um humilde servidor da comunidade, livre de poderes, despojado de privilégios e honrarias, irmão(ã) maior entre os demais irmãos, laço de unidade entre os membros da comunidade, mensageiro de paz, defensor dos pobres, protetor dos excluídos, testemunho de simplicidade e exemplo de diálogo. Só assim será a “rocha” de verdade sobre a qual Jesus poderá edificar uma nova igreja.

Não podemos continuar pensando que Jesus transmitiu um “poder” a Pedro. Jesus não exerceu poder porque o poder nunca é mediação para a libertação do ser humano (seja poder político, religioso, ou qualquer outra expressão de poder).

Jesus esvaziou-se de todo poder; Ele tinha autoridade: “ensinava-lhes com autoridade e não como os escribas”. Quem tem “poder”, o centro está em si mesmo; por isso é que toda expressão de poder é violenta, exclui, decide pelo outro... A autoridade deve ser exercida no marco da visão de Igreja que o Vaticano II nos deixou, ou seja, potenciar a comunhão. É urgente que o exercício da autoridade na Igreja vá assumindo os traços característicos de uma Igreja-comunhão, Igreja-sinodalidade, Igreja-participação, Igreja-samaritana e servidora..., se quisermos ser fiéis ao “modo de proceder” de Jesus.

A Igreja é Comunidade “Sinodal” igualmente em seu “caminhar com a totalidade de seus membros”, construindo o Reinado do Pai; ninguém é excluído, ninguém é de segundo nível. Cada um dos seguidores de Jesus é tido em conta e participa ativamente. Todas as pessoas que são membros da Igreja o são em virtude do sacramento do Batismo.

Este sacramento confere a quem o recebe o dom da filiação divina, a mais alta dignidade que um ser humano pode ter. Ninguém é superior a um filho ou a uma filha de Deus. São irmãos e irmãs entre, no nível de igualdade. Se na Igreja há alguma diferença em dignidade, se alguém crê ser superior a outros, essa Igreja não é “sinodal”, é infiel a Jesus, é uma contradição ao Evangelho. Se alguma diferença em dignidade é admitida como válido, é um abuso que é preciso suprimir.

Igreja Sinodal não é simplesmente uma Igreja que faz Sínodos, reuniões. A Igreja é Sinodal pois a totalidade de seus membros, todos e todas “caminham com Jesus” no mesmo caminho, que é a construção do Reinado do Pai.

Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja

 

Texto bíblico: Evangelho segundo Mateus 16,13-19  

 

Na oração:

oração é o caminho interior que faz a pessoa chegar até o próprio “eu original”, aquele lugar santo, intocável, onde reside não só o lado mais positivo da pessoa, mas o mesmo Deus. Este é o nível da graça, da gratuidade, da abundância, onde a pessoa “mergulha” no silêncio à escuta de todo o seu ser.

Coloque-se diante da verdade de Deus, na verdade de si mesmo:

- Que resposta você daria, agora, se um repórter lhe entrevistasse e lhe perguntasse: “quem é você?”

- O que você colocaria na sua carteira de identidade que lhe diferenciasse de todas as outras pessoas? Quais 

  seriam os seus sinais digitais mais originais? Quais os seus sinais digitais divinos? (as “marcas” de Deus);

- O que em você é “rocha” consistente, fundamento inabalável?

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Nada pode destruir nosso ser essencial

 Texto do Pe. Adroaldo Palaoro, sj como sugestão para rezar o Evangelho do 12º Domingo do Tempo Comum (Ano A).


“Não tenhais medo!” (Mt 10,31)

 

O apelo “não tenhais medo!”, que aparece com insistência no evangelho deste domingo, está situada no contexto da missão. Jesus acaba de dizer a seus seguidores que serão perseguidos, encarcerados, inclusive serão mortos. No entanto, está claro que a advertência pode ser aplicada a todas as situações de medo paralisante que podemos encontrar na vida. 

Provavelmente, o medo é o que mais trava os cristãos no seguimento fiel de Jesus Cristo. O medo do vazio existencial, da noite escura da vida; o medo do futuro, do desconhecido, do não saber...; as pessoas têm medo do que pode descobrir se escuta seu coração, medo de seus próprios “infernos interiores” ou de sua beleza interior, que lhe está oculta; têm medo do novo, como se “conservar o passado” garante automaticamente a fidelidade ao Evangelho; têm medo de assumir as tensões e os conflitos que brotam do seguimento de Jesus: calam-se quando deveriam falar, inibem-se quando deveriam denunciar.

Há um medo instintivo que é produto da evolução humana. Este é imprescindível para garantir a sobrevivência de qualquer ser vivo. Seu objetivo é defender a vida, seja fugindo, seja liberando energia para enfrentar as ameaças. Este medo é natural e seria inútil lutar contra ele. Sabemos que o medo é um sentimento que brota no ser humano quando ele, diante de certas situações externas, interpreta como perigosas para sua sobrevivência. O medo é o resultado da evolução humana e, portanto, positivo. 

Mas, como seres humanos, podemos ser presas fáceis de um medo introjetado, ilusório, que nos impedem ativar nossas possibilidades de verdadeira humanidade. Este é o que nos trai e provoca transtornos constantes porque nos paralisa e nos atormenta. Com tais condicionamentos, não é estranho que a mente veja perigos por todos os lugares, instalando-nos no medo de maneira habitual, alimentando a ansiedade e trancando-nos em um cárcere interno que nos oprime cada vez mais. 

O pior é quando o medo é utilizado por aqueles que pretendem submeter o outro; ele é o sentimento fúnebre mais eficaz para dominar pessoas, grupos e nações. Todas as autoridades, civis e religiosas, utilizaram-no sempre para conseguir a submissão e a obediência de seus súditos. Não só é explorado por empresas que se dedicam a vender todo tipo de seguros, mas também pelas religiões que exploram seus seguidores, oferecendo-lhes seguranças absolutas, prêmios eternos, depois de ter-lhes infundido o medo irracional.

Também na Igreja atual há infidelidades e fragilidades, mas há sobretudo medo de correr riscos. Estamos vivendo tempos sem audácia para renovar criativamente a vivência da fé cristã.

O anúncio da Boa Notícia do Reino exige uma boa dose de coragem e ousadia; no entanto, infelizmente, o medo teve e continua tendo uma influência nefasta; muitos dirigentes religiosos caem na armadilha de potenciar esse medo e apelam para o legalismo, o moralismo, o ritualismo estéril, a ameaça...  A causa de não se atreverem a atualizar doutrinas, ritos e normas morais, é o medo de perder o controle absoluto (poder de consciência). 

As expressões religiosas de inspiração cristã continuam alimentando a falsa imagem de um Deus que é todo-poderoso, juiz universal, ameaçador..., e essa imagem está a serviço de seus interesses e poder.

Quão distante estamos do Deus Pai/Mãe de infinita misericórdia e amor, revelado por Jesus. Por isso mesmo, temos de confiar totalmente n’Ele, porque nada pode mudar seu amor e seu compromisso com seus filhos e filhas. A causa de Deus é a causa do ser humano. Não nos enganemos; colocar-nos no caminho do seguimento de Jesus é situar-nos no compromisso com as pessoas. Deus não está, com seu capricho, manejando sua criação a partir de fora e ameaçando a todos. Ele está implicado nela entranhavelmente; faz de toda a Criação sua morada. Sua vontade é imutável. 

Este medo artificial e “religioso”, em lugar de ajudar a nos defender, nos aniquila. Este medo é o contrário da fé-confiança. Se Jesus nos convida a não ter medo, não é porque nos promete um caminho de rosas. Não se trata de confiar que não acontecerá nada desagradável, ou que, se algo mau acontecer, alguém nos livrará disso. Trata-se de uma segurança que permanece intacta em meio às dificuldades e limitações, sabendo que os contratempos não podem anular o que somos de verdade. Deus não é a garantia de que tudo irá bem, mas a segurança de que Ele estará aí em qualquer situação. Quando exigimos de Deus que nos liberte de nossas limitações, estamos demonstrando que não amamos o que Deus fez.

 não é uma apólice de seguro, nem um tranquilizador, mas um desafio. A  não tira o véu do mistério, mas ensina a olhar através dele com admiração e esperança.

A verdadeira compreensão da fé prepara a mente e o coração para os riscos da vida cotidiana, sob o olhar amoroso de Deus. As pessoas se libertam do medo à medida que se fazem merecedoras da vida.

 é, na prática, a capacidade de viver num mundo de dúvida e insegurança, mas com uma promessa de verdade. fé não suprime a condição humana, a visão limitada, a mente vacilante, o coração indeciso..., mas dá ânimo e coragem de caminhar onde o chão não está firme, de ver onde o céu não está claro, de zarpar quando o mar está agitado; ela se manifesta como o poder de despertar em meio ao desânimo, de amar em meio à indiferença, de sorrir em meio à falta de compreensão.

confiança não surge de um voluntarismo a toda prova, mas de uma experiência profunda do que Deus é em nós“A finitude, quando é acolhida na verdade, não empobrece o ser humano, mas abre-o ao reconhecimento do rosto de Deus e do outro. Aliás, precisamente porque experimenta os limites – a vulnerabilidade, a dor, o insucesso –, ele pode reconhecer como inviolável a sua dignidade e a dos outros. E, na mesma experiência dos limites, continua capaz de intuir uma fraternidade maior do que ele próprio e de reconhecer a injustiça como escândalo” (Papa Leão XIV, MH n. 122)

Acolher nossas limitações e fragilidades e descobrir nossa verdadeira riqueza é o único caminho que nos faz chegar à total confiança. A confiança significa sair de nós mesmos e descobrir que nosso fundamento não depende de nós. O fato de que nosso ser não dependa de nós mesmos, não significa uma perda, mas um ganho, porque dependemos d’Aquele que é muito mais seguro que nós mesmos. Nosso passado é Deus mesmo, nosso futuro é também Deus; nosso presente está nas mãos de Deus e não temos nada a temer.

Só a ânsia de buscar seguranças e de controlar nosso próprio ser é o que nos faz entrar nesse beco sem saída que é a perturbação, o mal-estar, a insegurança, em uma palavra, o medo.

Falar de uma verdadeira confiança em Deus é nos situar em um terreno diferente porque nos obriga a quebrar as falsas imagens que temos d’Ele.

Confiar em Deus é confiar em nosso próprio ser, na vida, naquilo que somos de verdade. Não se trata de confiar em um Ser que está fora de nós e que pode nos dar, a partir de fora, aquilo que tanto desejamos. Trata-se de descobrir que Deus é o fundamento de nosso próprio ser e que podemos estar tão seguros de nós mesmos como Deus está seguro de si. Por maior que seja o motivo para temer, sempre será maior o motivo para confiar. Se cremos que Deus habita em tudo e em todos, então surgirá em nós um sentimento de total segurança, de total confiança em nós, naquilo que somos e naquilo que nós significamos para Deus.

Jesus nos convida a não ter medo de nada nem de ninguém: nem das coisas, nem de Deus, nem sequer de nós mesmos. Como seguidores(as) somos chamados(as) a superar o medo covarde, permanente, irracional, os sofrimentos imaginários, sombrios que nos tornam infelizes e nos fazem experimentar provações falsas e ilusórias. O compromisso com a proposta de Jesus sela o amor, que abole o medo da vida.


Porque é que o medo tantas vezes nos paralisa?

 

Texto bíblico: Evangelho segundo Mateus 10,26-33

 

Na oração: 

Devemos estar sempre mais convencidos de que a experiência de Deus, tal como Jesus no-la oferece e comunica, infunde uma paz inconfundível em nosso coração, cheio de inquietações, medos e inseguranças. Esta paz é sempre o melhor sinal de que temos escutado, desde as profundezas de nosso ser, seu chamado: “Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais”.

- Dê nomes aos medos que estão paralisando sua vida.