"Pelo que é necessário fazer-nos indiferentes a todas as coisas criadas... de tal maneira que não queiramos, da nossa parte, mais saúde que doença, riqueza que pobreza, honra que desonra." (Santo Inácio de Loyola - Exercícios Espirituais, 23)
A palavra “indiferença” costuma soar fria aos nossos ouvidos, mas no vocabulário de Inácio ela significa o ápice da liberdade interior. A “santa indiferença” não é apatia ou falta de sentimento. Trata-se da capacidade espiritual de não deixar que nada, absolutamente nada, aprisione o nosso coração a ponto de tomar o lugar de Deus. É a postura de quem usa as coisas criadas “tanto quanto” elas ajudam a cumprir a vontade divina, e afasta-se delas “tanto quanto” elas atrapalham.
Se a saúde serve para a glória de Deus, nós a acolhemos com gratidão; se a doença nos visita e nos torna mais maduros, humildes e dependentes do Pai, também a aceitamos em paz. Essa liberdade radical nos protege das grandes ansiedades modernas. Quem pratica a indiferença já não vive escravizado pelo medo de perder o status, o dinheiro ou o controle, pois sabe que a sua verdadeira segurança repousa inteiramente no amor de Deus.

Para colocar em prática hoje:
Identifique algo que você tem muito medo de perder hoje (um plano, um elogio, uma posição). Ofereça esse receio a Deus e reze em silêncio: “Senhor, eu prefiro o que Tu queres para mim. Dá-me a liberdade de usar ou deixar isso, contanto que eu permaneça em Teu amor.”
-- Texto revisado com auxílio da ferramenta Gemini
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