terça-feira, 25 de março de 2014

Relato – Reunião 17/03/2014

Na reunião do dia 17/03/2014 partilhamos a oração da 1ª semana do Retiro Quaresmal 2014 (Exercícios Espirituais na vida cotidiana).
O roteiro do Retiro Quaresmal orienta que devemos registrar em cada momento de oração os elementos que ajudaram, as dificuldades, os pontos mais tocantes, os sentimentos predominantes, os apelos à conversão e as resistências.

Como as nossas experiências de oração estão intimamente relacionados com os diversos acontecimentos da nossa vida diária, foram colocados e partilhados os seguintes pontos:

  • Onde está a ética em nossos tempos? Quais desafios temos enfrentado em termos de ética?
  • Preparar-se para as missões que o Senhor nos confia, mas abrir-se à ação do Espírito, que tem desígnios insondáveis e pode mudar os nossos planos.
  • Observar em que somos tentados, em que áreas da nossa vida ou das nossas relações se encontram os nossos desafios.
  • Buscar sempre ter paciência e tolerância diante do outro... Quais características e/ou atitudes são próprias da pessoa que sabe perdoar?
  • O perdão é um processo contínuo; é uma escola que frequentamos por toda a vida.
  • O verdadeiro perdão só vem com oração, só se encontra naquele que cultiva uma relação própria com Deus, que é todo misericórdia e perdão. Até mesmo Jesus orou antes de pedir a Deus que perdoasse os que o crucificavam.
Desafio sempre presente: ter paciência, permanecer serenos diante daquilo que nos incomoda e não podemos mudar.

Rezemos a Oração da Serenidade (Autoria atribuída a Reihold Niebuhr):
Forma longa: Concedei-me, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar; coragem para modificar as que eu posso; e sabedoria para distinguir umas das outras – vivendo um dia de cada vez; desfrutando um momento de cada vez; aceitando as dificuldades como um caminho para alcançar a paz, considerando este mundo pecador como ele é e não como eu gostaria que fosse; confiando que endireitarás todas as coisas se eu me render à tua vontade – para que eu possa ser moderadamente feliz nesta vida e sumamente feliz contigo na eternidade.

Forma abreviada: Concedei-me, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar; coragem para modificar as que eu posso; e sabedoria para distinguir umas das outras.


Oração de Partilha (Agradecimento) enviada pela Bruna Melhoranse, por e-mail:
Obrigada, Pai, por permitir que eu não tenha somente ocupações e preocupações, mas também realizações, planos, projetos, ações não mecânicas, mas rezadas ou refletidas (até mesmo no momento em que ocorrem... acho que isso é rezar na ação!)... Obrigada por permitir esses dons, em especial, o de rezar na ação que está tão evidente nesses meus dias de Quaresma! Obrigada!
Os ninivitas também pararam as suas rotinas automatizadas e mecânicas e começaram a ter ações com propósitos... Não eram mais apenas ocupações, mas realizações... Tu, Pai, sempre vês a intenção de nossas ações e consegues dar foco e sentido às nossas ações, hábitos e rotinas.
Realmente, Pai, tu sabes, muito mais do que eu, tudo o que eu preciso! Obrigada por me amar tanto! Que eu consiga cada vez mais aceitar isso e te obedecer: quando disseres: “Vá”, que eu vá e quando disseres: “Fica!”, que eu fique! Amém!

Estamos maravilhados com os frutos de oração que a cada partilha vamos colhendo.  Deus é bom e seu amor misericordioso se derrama em todos nós. Amém!

Gesto concreto proposto: Organizar a celebração da Páscoa na Aliança dos Cegos.

Contiuemos em oração, em nossas 'quaresminhas' diárias.


segunda-feira, 24 de março de 2014

Retiro de Preparação - Páscoa

O Centro Loyola de Fé e Cultura oferece para seus frequentadores inúmeras oportunidades de retiros e momentos de oração, sempre à luz da Espiritualidade Inaciana transmitida por Santo Inácio de Loyola.
Este retiro tem como objetivo suscitar a reflexão do tempo litúrgico próprio, preparando aqueles que dele participam para a vivência da Páscoa. O retiro será em regime aberto, sem hospedagem. Almoço de sábado, café da manhã e lanches incluídos.

O tema deste ano é "Ressuscitou de tanto Viver"

Quando: 12 e 13 de Abril de 2014

Horário: 8h30 às 17h sábado; e 8h30 às 13h domingo

Onde: Centro Loyola - Estrada da Gávea, 1 - Gávea - RJ


Orientação: Equipe de leigos do CL (Anna Penalber, Anna Wolter, Gilda Carvalho, Helber Paiva, Luluca Alvim, Monica Aguiar e Rutinéa Jordão).

Site do Centro Loyola e Fé e Cultura


quinta-feira, 13 de março de 2014

Reunião 10/03/2014: Os passos da Quaresma

Na reunião do dia 10/03/2014 fizemos uma partilha das experiências vividas na semana introdutória do Retiro Quaresmal 2014, um roteiro de oração baseado na metodologia dos Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola para o tempo da Quaresma [A expressão Quaresma é originária do latim, quadragesima dies (quadragésimo dia)]. 

Chama-se Quaresma os 40 dias de jejum e penitência que precedem à festa da Páscoa. Essa preparação existe desde o tempo dos primeiros cristãos, que limitaram sua duração a 40 dias , em memória do jejum de Jesus Cristo no deserto.


Das partilhas de oração, crescimento, dificuldades, sentimentos, apelos, resistências e palavras que tocaram, destacamos o que segue:

- Somos responsáveis pelo caminho que tomamos na vida... Pelo menos no que depende exclusivamente das nossas escolhas, do uso da nossa liberdade. (Dt 30,19: "Eu te propus a vida e a morte; tu deves escolher a vida.")

- As nossas fraquezas são também tentações que nos fazem cair na descrença e no pecado; o tempo da Quaresma nos desafia a descobrir fortaleza naquilo que nos enfraquece.

- Na fraqueza é que somos fortes: um outro olhar sobre o que consideramos fraqueza em nós e nos outros pode revelar dons que muitas vezes não são percebidos quando ficamos na superfície da relação com Deus, com o outro e com nós mesmos.

- Nossos propósitos quaresmais muitas vezes podem ficar perdidos entre as muitas demandas cotidianas; se tentarmos olhar cada dia como uma 'Pequena Quaresma', um tempo favorável único, podemos estar mais atentos e vigilantes no cumprimento dos nossos propósitos. A 'Quaresminha' nossa de cada dia!

- Uma forma criativa de estabelecer propósitos para o tempo da Quaresma é ter como referência os sentidos: visão, audição, paladar, tato e olfato. Como posso exercitar os apelos fortes da Quaresma (oração, jejum e esmola) a partir dos sentidos?

- Quaresma é também tempo de olhar o próximo! Muitas vezes ficamos com a vida presa às nossas necessidades individuais e rotinas e  não renunciamos um pouco do tempo que dedicamos ao nosso 'eu' em favor do próximo e de suas necessidades.

- Quando olhamos a realidade da nossa vida em relação à necessidade do outro, nos conscientizamos de que só temos a agradecer a Deus por tantos dons.

- A oração é um dos apelos fortes do tempo da Quaresma, por isso começar o dia com oração nos ajuda a viver melhor esse tempo: Quando a gente ora, o dia fica ordenado.

- A nossa penitência deve ser periférica, não ficar concentrada em nós mesmos, mas ir ao encontro dos que necessitam: Não adianta renunciar à carne e deixá-la guardada na geladeira.

- Entre o cortejo da vida e o cortejo da morte está o conflito da vida humana: Jesus está à frente do cortejo da vida, que transforma as pessoas que seguem no cortejo da morte.

- Quando estamos atentos e de coração aberto, Deus dá um jeito de nos falar, de nos enviar sinais e luzes para os nossos passos: Quantos fardos estamos carregando em nossa vida? Muitas vezes é pesado demais carregar as marcas do passado, as necessidades do presente e os anseios do futuro. Um fardo de cada vez! É necessário deixar de despender energias com o que passou e com o que virá para viver as necessidades presentes [Mateus 6, 31-34: "Não fiquem preocupados, dizendo: O que vamos comer? O que vamos beber? O que vamos vestir? (...) Em primeiro lugar busquem o Reino de Deus e a sua justiça, e Deus dará a vocês, em acréscimo, todas essas coisas. Não se preocupem com dia de amanhã, pois odia de amanhã terá suas preocupações. Basta a cada dia a própria dificuldade."]

- Não devemos viver tentando ser o Criador, senhores do passado e do futuro, mas com coração confiante, aceitar o tempo presente que nos é dado e viver as suas demandas.




quarta-feira, 5 de março de 2014

Assembleia Nacional CVX 2014

Assembleia Nacional CVX 2014
Tema: "Das raízes até as nossas fronteiras"

Lema: "A fronteira nos leva ao pobre, ao pequeno e ao excluído"

Quando: 28 – 30/03/2014
Onde: Casa de Eventos Santa Fé - Via Anhanguera, Km 25,5 – São Paulo.
Quanto: R$220,00.

Tema: "Das raízes até as nossas fronteiras"

Lema: "A fronteira nos leva ao pobre, ao pequeno e ao excluído"

Quando: 28 – 30/03/2014
Onde: Casa de Eventos Santa Fé - Via Anhanguera, Km 25,5 – São Paulo.
Quanto: R$220,00.

Uma visão geral dos temas a serem tratados durante a Assembleia Nacional
 é apresentada abaixo:
Sexta-Feira  
Conhecendo-nos!
- Celebração Eucarística e filiação do Regional Brasília
- Abertura da Assembleia: boas-vindas, programação, composição mesa, apresentação das comunidades
- Apresentação do Mapeamento da CVX Brasil - Antonio Bitencourt - CVX Santíssima Trindade
- Debate e votação: Estatuto, Regimento, Filiação CVX, Corresponsabilidade Financeira
- Oração e partilha
 Sábado
 Como servimos e como podemos servir?
- Palestra: Sinal de Contradição: É minha missão! (Rafael Rosado – CVX Nossa Senhora da Estrada). Trabalho de conclusão do Magis
- Partilha Assembleia Mundial (Sobrinho, Pe.Jackson e Rafael Finatti)
- Grupos de trabalho sobre as 4 fronteiras da CVX Mundial: Juventude, Família, Ecologia e Incidência Política
- Entrevista: Jesuítas e CVX no coração da missão rumo às fronteiras - Pe.Carlos Palácio, SJ
- Missa com apresentação dos candidatos ao CEN
- Conversando com os Candidatos
- Oração e partilha
- Confraternização
 Domingo
 Vamos à missão!
- Oração da Manhã: encaminhamento para o discernimento da votação
- Coletar os frutos da Assembleia
- Eleição
- Missa de envio

Maiores informações e inscrições: http://www.cvx.org.br/AN2014

Retiro do Dia Mundial da CVX

Convite para o Retiro do Dia Mundial da CVX

Quarta-feira de Cinzas - Proposta de Oração

 Proposta de Oração para o início da Quaresma, na Quarta-feira de Cinzas

PS. Clique nas imagens para expandir.




Da Liturgia da Quarta-feira de Cinzas:

Joel 2,12-18 - Voltar ao Senhor! quem volta é porque está afastado. Refletir sobre a proximidade do seu relacionamento com Deus


Salmo 50: Misericórdia, ó Senhor, pois pecamos! - Reconhecer-se pecador, limitado, pedir e crer na misericórdia de Deus, que transforma as nossas limitações.

II Coríntios 5,20–6,2 - É tempo favorável de reconciliar-se com Deus!

A Bíblia de Jerusalém apresenta uma nota de rodapé bastante rica e bem fundamentada sobre o significado do dia da salvação, do tempo favorável, a qual está transcrita a seguir:
"Entre a época da primeira vinda de Cristo e a do seu retorno decorre um tempo intermediário, que é o “dia da salvação”. Tempo concedido em vista da conversão, da salvação do “Resto” e dos gentios. Embora tenha duração incerta, esse tempo de peregrinação deve ser considerado como breve, cheio de provações e de sofrimentos, que preparam para a glória futura. O fim se aproxima, assim como o dia da plena luz. Importa vigiar e fazer sábio uso de tempo que resta, para que nos salvemos e salvemos os outros, deixando a Deus a tarefa de fazer a retribuição final."

Mateus 6,1-6.16-18 - Convite à prática  da oração, jejum e esmola 'em segredo' com Deus e não para ser 'visto'.

Texto adicional suscitado durante a preparação desse post:
Isaías 55, 6 - 10:
6 Por acaso não consiste nisto o jejum que escolhi: 
em romper os grilhões da iniquidade,
em desfazer as correntes do jugo, 
pôr em liberdade os oprimidos e despedaçar qualquer jugo; 
7 Não consiste em repartir o pão com o faminto, 
hospedar em sua casa os pobres sem abrigo, 
vestir aquele que se encontra nu, 
e em não te esconderes daquele que é tua carne? 
8 Se fizeres isso, a tua luz brilhará como a aurora, 
tuas feridas vão sarar rapidamente, 
a tua justiça irá à tua frente e a glória de Javé irá à tua retaguarda. 
9 Então clamarás, e Javé responderá (...)
10 se te privares  para o faminto e matar a fome do oprimido,
tua luz brilhará nas trevas
e a escuridão será para ti como a claridade do meio-dia;


Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma de 2014


Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma de 2014

«Fez-Se pobre, para nos enriquecer com a sua pobreza» 

(cf. 2 Cor 8, 9)

Queridos irmãos e irmãs!
Por ocasião da Quaresma, ofereço-vos algumas reflexões com a esperança de que possam servir para o caminho pessoal e comunitário de conversão. Como motivo inspirador tomei a seguinte frase de São Paulo: «Conheceis bem a bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, Se fez pobre por vós, para vos enriquecer com a sua pobreza» (2 Cor 8, 9). O Apóstolo escreve aos cristãos de Corinto encorajando-os a serem generosos na ajuda aos fiéis de Jerusalém que passam necessidade. A nós, cristãos de hoje, que nos dizem estas palavras de São Paulo? Que nos diz, hoje, a nós, o convite à pobreza, a uma vida pobre em sentido evangélico?
Papa Francisco

A graça de Cristo

Tais palavras dizem-nos, antes de mais nada, qual é o estilo de Deus. Deus não Se revela através dos meios do poder e da riqueza do mundo, mas com os da fragilidade e da pobreza: «sendo rico, Se fez pobre por vós». Cristo, o Filho eterno de Deus, igual ao Pai em poder e glória, fez-Se pobre; desceu ao nosso meio, aproximou-Se de cada um de nós; despojou-Se, «esvaziou-Se», para Se tornar em tudo semelhante a nós (cf. Fil 2, 7; Heb 4, 15). A encarnação de Deus é um grande mistério. Mas, a razão de tudo isso é o amor divino: um amor que é graça, generosidade, desejo de proximidade, não hesitando em doar-Se e sacrificar-Se pelas suas amadas criaturas. A caridade, o amor é partilhar, em tudo, a sorte do amado. O amor torna semelhante, cria igualdade, abate os muros e as distâncias. Foi o que Deus fez conosco. Na realidade, Jesus «trabalhou com mãos humanas, pensou com uma inteligência humana, agiu com uma vontade humana, amou com um coração humano. Nascido da Virgem Maria, tornou-Se verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, excepto no pecado» (Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. Gaudium et spes, 22).
A finalidade de Jesus Se fazer pobre não foi a pobreza em si mesma, mas – como diz São Paulo – «para vos enriquecer com a sua pobreza». Não se trata de um jogo de palavras, de uma frase sensacional. Pelo contrário, é uma síntese da lógica de Deus: a lógica do amor, a lógica da Encarnação e da Cruz. Deus não fez cair do alto a salvação sobre nós, como a esmola de quem dá parte do próprio supérfluo com piedade filantrópica. Não é assim o amor de Cristo! Quando Jesus desce às águas do Jordão e pede a João Batista para O batizar, não o faz porque tem necessidade de penitência, de conversão; mas o faz para se colocar no meio do povo necessitado de perdão, no meio de nós pecadores, e carregar sobre Si o peso dos nossos pecados. Este foi o caminho que Ele escolheu para nos consolar, salvar, libertar da nossa miséria. Faz impressão ouvir o Apóstolo dizer que fomos libertados, não por meio da riqueza de Cristo, mas por meio da sua pobreza. E todavia São Paulo conhece bem a «insondável riqueza de Cristo» (Ef 3, 8), «herdeiro de todas as coisas» (Heb 1, 2).
Em que consiste então esta pobreza com a qual Jesus nos liberta e torna ricos? É precisamente o seu modo de nos amar, o seu aproximar-Se de nós como fez o Bom Samaritano com o homem abandonado meio morto na beira da estrada (cf. Lc 10, 25-37). Aquilo que nos dá verdadeira liberdade, verdadeira salvação e verdadeira felicidade é o seu amor de compaixão, de ternura e de partilha. A pobreza de Cristo, que nos enriquece, é Ele fazer-Se carne, tomar sobre Si as nossas fraquezas, os nossos pecados, comunicando-nos a misericórdia infinita de Deus. A pobreza de Cristo é a maior riqueza: Jesus é rico de confiança ilimitada em Deus Pai, confiando-Se a Ele em todo o momento, procurando sempre e apenas a sua vontade e a sua glória. É rico como o é uma criança que se sente amada e ama os seus pais, não duvidando um momento sequer do seu amor e da sua ternura. A riqueza de Jesus é Ele ser o Filho: a sua relação única com o Pai é a prerrogativa soberana deste Messias pobre. Quando Jesus nos convida a tomar sobre nós o seu «jugo suave» (cf. Mt 11, 30), convida-nos a enriquecer-nos com esta sua «rica pobreza» e «pobre riqueza», a partilhar com Ele o seu Espírito filial e fraterno, a tornar-nos filhos no Filho, irmãos no Irmão Primogénito (cf.Rm 8, 29).
Foi dito que a única verdadeira tristeza é não ser santos (Léon Bloy); poder-se-ia dizer também que só há uma verdadeira miséria: é não viver como filhos de Deus e irmãos de Cristo.

O nosso testemunho

Poderíamos pensar que este «caminho» da pobreza fora o de Jesus, mas não o nosso: nós, que viemos depois d’Ele, podemos salvar o mundo com meios humanos adequados. Isto não é verdade. Em cada época e lugar, Deus continua a salvar os homens e o mundo por meio da pobreza de Cristo, que Se faz pobre nos Sacramentos, na Palavra e na sua Igreja, que é um povo de pobres. A riqueza de Deus não pode passar através da nossa riqueza, mas sempre e apenas através da nossa pobreza, pessoal e comunitária, animada pelo Espírito de Cristo.

À imitação do nosso Mestre, nós, cristãos, somos chamados a ver as misérias dos irmãos, a tocá-las, a ocupar-nos delas e a trabalhar concretamente para as aliviar. A miséria não coincide com a pobreza; a miséria é a pobreza sem confiança, sem solidariedade, sem esperança. Podemos distinguir três tipos de miséria: a miséria material, a miséria moral e a miséria espiritual. A miséria material é a que habitualmente designamos por pobreza e atinge todos aqueles que vivem numa condição indigna da pessoa humana: privados dos direitos fundamentais e dos bens de primeira necessidade como o alimento, a água, as condições higiénicas, o trabalho, a possibilidade de progresso e de crescimento cultural. Perante esta miséria, a Igreja oferece o seu serviço, a sua diakonia, para ir ao encontro das necessidades e curar estas chagas que deturpam o rosto da humanidade. Nos pobres e nos últimos, vemos o rosto de Cristo; amando e ajudando os pobres, amamos e servimos Cristo. O nosso compromisso orienta-se também para fazer com que cessem no mundo as violações da dignidade humana, as discriminações e os abusos, que, em muitos casos, estão na origem da miséria. Quando o poder, o luxo e o dinheiro se tornam ídolos, acabam por se antepor à exigência duma distribuição equitativa das riquezas. Portanto, é necessário que as consciências se convertam à justiça, à igualdade, à sobriedade e à partilha.

Não menos preocupante é a miséria moral, que consiste em tornar-se escravo do vício e do pecado. Quantas famílias vivem na angústia, porque algum dos seus membros – frequentemente jovem – se deixou subjugar pelo álcool, pela droga, pelo jogo, pela pornografia! Quantas pessoas perderam o sentido da vida; sem perspectivas de futuro, perderam a esperança! E quantas pessoas se vêem constrangidas a tal miséria por condições sociais injustas, por falta de trabalho que as priva da dignidade de poderem trazer o pão para casa, por falta de igualdade nos direitos à educação e à saúde. Nestes casos, a miséria moral pode-se justamente chamar um suicídio incipiente. Esta forma de miséria, que é causa também de ruína económica, anda sempre associada com a miséria espiritual, que nos atinge quando nos afastamos de Deus e recusamos o seu amor. Se julgamos não ter necessidade de Deus, que em Cristo nos dá a mão, porque nos consideramos auto-suficientes, vamos a caminho da falência. O único que verdadeiramente salva e liberta é Deus.

O Evangelho é o verdadeiro antídoto contra a miséria espiritual: o cristão é chamado a levar a todo o ambiente o anúncio libertador de que existe o perdão do mal cometido, de que Deus é maior que o nosso pecado e nos ama gratuitamente e sempre, e de que fomos feitos para a comunhão e a vida eterna. O Senhor convida-nos a sermos jubilosos anunciadores desta mensagem de misericórdia e esperança. É bom experimentar a alegria de difundir esta boa nova, partilhar o tesouro que nos foi confiado para consolar os corações dilacerados e dar esperança a tantos irmãos e irmãs imersos na escuridão. Trata-se de seguir e imitar Jesus, que foi ao encontro dos pobres e dos pecadores como o pastor à procura da ovelha perdida, e fê-lo cheio de amor. Unidos a Ele, podemos corajosamente abrir novas vias de evangelização e promoção humana.

Queridos irmãos e irmãs, possa este tempo de Quaresma encontrar a Igreja inteira pronta e solícita para testemunhar, a quantos vivem na miséria material, moral e espiritual, a mensagem evangélica, que se resume no anúncio do amor do Pai misericordioso, pronto a abraçar em Cristo toda a pessoa. E poderemos fazê-lo na medida em que estivermos configurados com Cristo, que Se fez pobre e nos enriqueceu com a sua pobreza. A Quaresma é um tempo propício para o despojamento; e far-nos-á bem questionar-nos acerca do que nos podemos privar a fim de ajudar e enriquecer a outros com a nossa pobreza. Não esqueçamos que a verdadeira pobreza dói: não seria válido um despojamento sem esta dimensão penitencial. Desconfio da esmola que não custa nem dói.

Pedimos a graça do Espírito Santo que nos permita ser «tidos por pobres, nós que enriquecemos a muitos; por nada tendo e, no entanto, tudo possuindo» (2 Cor 6, 10). Que Ele sustente estes nossos propósitos e reforce em nós a atenção e solicitude pela miséria humana, para nos tornarmos misericordiosos e agentes de misericórdia. Com estes votos, asseguro a minha oração para que cada crente e cada comunidade eclesial percorra frutuosamente o itinerário quaresmal, e peço-vos que rezeis por mim. Que o Senhor vos abençoe e Nossa Senhora vos guarde!


Fonte: Página de News.va Português - www.facebook.com/news.va.pt?hc_location=timeline

A quaresma de Bergoglio

Texto do Papa Francisco, quando ainda era arcebispo em Buenos Aires, para iluminar nossa caminhada no tempo da Quaresma, que hoje, quarta-feira de Cinzas, se inicia.

A quaresma de Bergoglio
Assim pregava aos fiéis o arcebispo de Buenos Aires
«Os nossos gestos, as nossas mortificações, os nossos sacrifícios só têm valor se procedem do coração, se exprimem um amor. Um dos pilares do nosso caminho de preparação quaresmal é o jejum; mas ele deve partir do amor e conduzir-nos a um amor maior.

O jejum que Deus deseja consiste sempre em “repartir o pão com os famintos, dar abrigo aos infelizes, vestir o nu, e não desprezar o teu irmão” (Isaías, 58, 7). Jejuar a partir da solidariedade. Hoje é possível jejuar comprometendo-nos a fim de que outros não fiquem sem alimento. Hoje podemos celebrar o jejum só assumindo a dor e a impotência de milhões de famintos. Quem não jejua para o pobre engana a Deus. Jejuar é amar. O nosso jejum voluntário deve contribuir para impedir os jejuns obrigatórios dos pobres. Jejuamos a fim de que ninguém deva jejuar.


Um jejum que seja sinal de solidariedade com todos os que jejuam involuntariamente, um sinal de justiça num mundo cruel onde a alguns se dilata o estômago, porque comeram em excesso, e a outros a barriga incha porque não comem; um jejum que não é uma imposição, mas a necessidade de manifestar a gratidão pelo amor doado por Jesus, que por nós deu e continua a dar a vida».

É um dos trechos de uma homilia do arcebispo de Buenos Aires, Jorge Mario Bergoglio, pronunciada na quarta-feira das cinzas de 2009. Será possível lê-la integralmente – e também outras meditações quaresmais proferidas por Bergoglio entre 2004 e 2011 – no livro Dio non si stanca di perdonare «Deus nunca se cansa de perdoar» (Bologna, Emi, 2014, 63 páginas), que será publicado a 5 de Março e do qual o nosso jornal publica uma ampla antestreia.

Fonte da ilustração: http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=99045

Primeira Reunião 2014: Linha da Vida

Na reunião do dia 24 de fevereiro de 2014, primeira reunião do ano da nossa pré CVX, a partir de experiência de uma das nossas companheiras, fomos convidados a traçar a nossa linha da vida, desde o nascimento até os dias atuais, recordar os pontos altos e baixos da nossa caminhada, fatos positivos e também negativos que contribuíram para a construção do ser que somos.
Após todos receberem um folha branca, foi estabelecido um tempo para cada um traçar a sua linha, com os momentos mais marcantes da sua vida, seguido de uma partilha entre todos.



Antes de traçar a linha da vida, ouvimos, como texto iluminador, a passagem da Carta de Tiago transcrita a seguir.

Texto iluminador:
Tiago 4, 13-17:  Só Deus é o Senhor da vida
13 Agora vamos aos que dizem: «Hoje ou amanhã iremos a tal cidade, passaremos aí um ano negociando e ganhando dinheiro.» 14 E, no entanto, nem sabem o que vai acontecer amanhã! O que é a vida de vocês? Uma neblina que aparece um pouco e logo desaparece! 15 Vocês deveriam dizer: «Se o Senhor quiser, nós viveremos e faremos isto ou aquilo.» 16 Em vez disso, vocês se gabam da própria arrogância. Todo orgulho desse tipo é mau. 17 Portanto, quem sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado.

Conclusão:
Ao final da oração, fomos convidados à oração a partir das seguintes palavras: 
“Seis homens que caminhavam em busca de novas terras depararam-se com um rio caudaloso que lhes impedia avançar em seu caminho. Construíram um barco, prepararam os remos e entraram nele. Remaram juntos, e assim chegaram à outra margem. Desembarcaram para prosseguir o seu caminho, mas como o barco havia sido muito útil, carregaram-no sobre os ombros e seguiram assim penosamente sua peregrinação pela terra seca”.

Oração:
UNIFICAÇÃO
..em todos os exercícios espirituais seguintes, usamos dos atos do entendimento, quando
raciocinamos e dos atos da vontade, quando despertamos os afetos ... <EE.EE 3>

Unifica em ti
minhas dispersões
Sara minhas rupturas
no espírito e no corpo.
Apaga minhas seduções
que me precipitam no vazio.
Dissolve meus medos
que me paralisam na morte.
Fixa meu desejo
somente em ti.
Acolhe em teu descanso
o que sou e o que fui.
(Salmos para "sentir e saborear as coisas internamente” - Benjamin González Buelta SJ)

sábado, 18 de janeiro de 2014

Palavras do Papa Francisco

Palavras do Papa Francisco, que devem orientar nossa caminhada de Amar & Servir em 2014 e sempre:

"O cristão deve ser normal, mas existem valores dos quais não se pode prescindir como filhos de Deus [...] Quantas vezes esquecemos a Palavra de Deus, aquilo que o Senhor nos diz, e levamos mais a sério o que diz a moda..."