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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Transfiguração: o que viram em Jesus é o que todos somos

Texto do Pe. Adroaldo Palaoro, sj, como sugestão para rezar o Evangelho do 2º Domingo do tempo da Quaresma (2026).

“E foi transfigurado diante deles” (Mt 17,2)

 

O relato da Transfiguração em Mateus começa por um dado significativo: “Seis dias depois...”

Inevitavelmente, o leitor se pergunta o que tinha ocorrido de tão importante seis dias antes e se encontra com o primeiro anúncio da paixão.

Mateus compõe seu evangelho tendo como horizonte a nova Criação. O relato da Transfiguração “acontece” seis dias depois. Estamos no sétimo dia. A criação não se conclui na “desfiguração” (morte), mas na Transfiguração (ressurreição).

O sexto dia precede o sábado no calendário judaico. É a véspera do Shabbath no qual se celebra o final da Criação, o descanso de Deus por ter completado sua obra. É o dia da comunhão universal, dia da integração festiva de todas as criaturas, dia do repouso como prolongamento do repouso do Criador.

Mas o “sexto dia” é o que nos ocupa hoje, e nesse dia, que precede o Shabbath, acontece algo no monte.

Neste sexto dia de nossa vida, quando reconhecemos que há algo inacabado em nós e ao nosso redor, na maneira de viver e conviver, somos convidados a “subir” o monte, em companhia de outros.

Subir e tomar distância da agitação diária; subir para ter outra perspectiva da vida, acolher a experiência que nos é oferecida.

Montanha nos faz perceber (a partir do alto) certos aspectos do vale que passam desapercebidos.

Permanecer no vale, sem ter momentos de Montanha, é fechar-nos, cair na rotina, não perceber novos horizontes, não alargar a cabeça e o coração, não ampliar a visão das coisas, da realidade, da história...

Nosso compromisso no vale deve ser fruto do discernimento acolhido na Montanha; esta, nos devolve ao vale com outra visão, outro dinamismo; a Montanha ilumina, dá sentido e sabor à nossa vida no vale.

vale é o lugar do compromisso, do trabalho, da construção..., mas iluminado pela experiência da Montanha. Todo gesto no vale tem plenitude, tem ressonâncias... a partir da Montanha.

Montanha também nos revela que Deus continua “trabalhando” no vale da vida e nos impulsionando a “trabalhar” com Ele na mesma direção.

Como seguidores(as) de Jesus, devemos saber criar, em nossas vidas, espaço e momentos de Montanha (plenitude, silêncio, interioridade, escuta, discernimento); isso possibilita uma prática eficaz, um compromisso duradouro, uma decisão enraizada, uma presença transformadora nos “vale da vida”.

Subir à Montanha nos possibilita ler os horizontes e perceber se estamos caminhando na direção certa; isso implica tomar distância do ritmo diário, descobrir novos caminhos e novas decisões...

É na montanha que temos mais sensibilidade para escutar a voz do Senhor: “este(a) é o(a) meu(minha) filho(a) amado(a). A experiência do amor incondicional de Deus derruba grossos muros, arranca nossas máscaras, revela-nos quanto valemos aos Seus olhos e dá-nos uma nova liberdade para sermos nós mesmos.

Na Montanha somos olhados por Ele em profundidade e esse olhar revela nossa verdade mais original, nossa identidade mais profunda.

Trata-se de um olhar de aceitação, de amor, que nos faz descobrir o quanto valemos, que nos chama à vida, que nos livra do mundo de sombras, medos e inseguranças, que nos faz descobrir o gosto de viver sem máscaras, como alguém respirando ar puro.

Rostos resplandecentes, luz, vestes luminosas: a partir da Luz, a partir de Deus, todas as realidades humanas são vistas de maneira diferente, contemplativa. 

Cedo ou tarde, todos corremos o risco de nos instalarmos na vida, buscando o refúgio cômodo que nos permita viver tranquilos, sem sobressaltos ou preocupações, renunciando a qualquer outra aspiração.

A humanidade de Jesus deixa transparecer a proximidade de Deus. O Pai se revela presente na humanidade de Jesus. Por isso, seu rosto era luminoso como o sol. “Eu sou a luz”

Jesus era totalmente luz porque Deus o inundava; esse é o ponto de partida para Ele e para nós. Não devemos esperar nenhuma transfiguração, mas descobrir nosso ser não desfigurado. Já somos “transfigurados”, e não sabíamos. Não temos de caminhar para uma meta fantástica que nos prometem, mas descobrir já, em cada um de nós, o mais sublime dom, o próprio Deus. Somos transfigurados porque somos habitados por uma Presença, sempre providente e cuidadosa.

Sabemos, por experiência, que há um modo de “instalar-nos” que pode ser falsamente reforçado com “tons cristãos”. É a eterna tentação de Pedro que nos espreita sempre: “construir tendas no alto da montanha”. Ou seja, buscar na religião um bem-estar interior, fechando-nos em práticas “piegas”, ritos estéreis, devoções vazias..., fugindo da responsabilidade de construir uma convivência mais humana, um compromisso solidário e uma atuação em favor da transformação da realidade, tão injusta e tão desumana. É preciso também “transfigurar” nossa vivência religiosa e “descer” da montanha para prolongar o modo de ser e viver de Jesus junto aos marginalizados e excluídos.

A mensagem de Jesus é clara. Uma experiência religiosa não é verdadeiramente cristã se nos isola dos irmãos, se nos instala comodamente na vida e nos afasta do serviço aos mais necessitados.

Essa transfiguração interna se revela também na transfiguração das nossas atividades cotidianas mais comuns e nos encontros com os outros.

Como seres humanos, fazemos muitas coisas que os animais fazem, mas fazemo-las de maneira diferente e com sentidos mais profundas: comemos, mas nossa refeição torna-se encontro, festa, celebração; transfiguramos o alimento. Trabalhamos, mas como uma intenção nobre, com uma inspiração que transcende o próprio trabalho. Convivemos, mas, vamos além da proteção grupal: transfiguramos as relações, os encontros, os diferentes laços humanos. Nossa sexualidade não é mera genitalidade, mas afeto e amor; transfiguramos a dimensão afetiva humana. Viver humanamente é transfigurar a existência.

A transfiguração é uma vivência luminosa, um ver a vida a partir da perspectiva de Deus. Na vida temos de ter um pouco mais de lucidez e de sensatez para olhar em profundidade, para transfigurar as realidades cotidianas: uma experiência de elevação, de sentimentos “oceânicos”, de uma consolação intensa... 

Talvez isso já tenha ocorrido alguma vez quando escutamos uma música, vimos a bondade de uma pessoa, a fidelidade silenciosa no trabalho, a leitura de um salmo ou uma poesia, a contemplação da natureza, etc... Tantas vezes vemos as mesmas realidades cotidianas e, num belo dia, de maneira surpreendente, tais realidade provocam um impacto profundo em nós e, assim, caímos na conta de aspectos e valores aos quais não éramos conscientes. Muitas vezes, quando nos encontramos com determinadas pessoas, “não vemos nada”, não transluzem nada; outras vezes, encontramos uma pessoa simples, humilde, que transmite luz, bondade, proximidade... São vivências transfiguradas.


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Texto bíblico: Evangelho segundo Mateus 17,1-9

 

Na oração:

A voz do céu, a voz que ressoa no interior de cada um é de amor: “este(a) é meu(minha) filho(a) amado(a)”. Deus se compraz em seu Filho e em nós, que também somos seus filhos(as). O melhor que pode nos acontecer é que nos sintamos queridos(as), amados(as) e acolhidos(as) por Deus.

- A oração faz emergir à consciência uma nova imagem de nós mesmos e indica com o dedo uma área da nossa personalidade que necessita ser transfigurada com criatividade; ela promove um desenvolvimento criativo, eliminando a distância entre a imagem real e as falsas imagens que habitam o nosso interior.

- Através do encontro com o Senhor, no silêncio da montanha, a oração revela quem somos realmente, e amplia nossa vida para além de nossas pequenas fronteiras. Com efeito, orar é aproximar-nos da “verdade que nos faz livres”; livres para sermos “nós mesmos”, chegar a ser aquilo para o qual somos chamados a ser.

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Retiro do Advento 2019

O Advento abre o ano litúrgico, prepara para as festividades do Natal e estimula a profundidade da espiritualidade, que brota das orações e dos textos da Sagrada Escritura. 


O Retiro do Advento promovido pela Rede EaD Século 21 é composto por reflexões dos padres jesuítas, no estilo de Exercícios Espirituais. 

Durante o período, é importante dedicar 30 minutos diários à oração e encontrar um tempo propício para realizar os exercícios propostos. Além disso, na sala virtual, o participante poderá partilhar suas experiências com os demais inscritos no retiro. 

Inscrições gratuitas: https://www.eadseculo21.com.br/retiro-do-advento-2019.html

sábado, 8 de dezembro de 2018

Uma Voz que Protesta e Subverte

Apresentamos a seguir o texto do Pe. Adroaldo Palaoro, sj (Centro de Espiritualidade Inaciana - CEI), como sugestão para rezar o Evangelho do 2º Domingo do Tempo de Advento.

“Esta é a voz daquele que grita no deserto” (Lc 3,4)

Em um mundo no qual há tanto ruído não é fácil prestar atenção às vozes carregadas de vida e que movem à vida. Talvez porque entre tanto palavreado crônico a melhor solução é desconectar-nos, ou por preguiça, ou por impotência, ou pela tentação de querer falar, sem parar. Quem sabe, o excesso de problemas, inquietações, projetos e ideias confusas que se movem por dentro, petrificam nossa própria interioridade. Ou ainda, porque no mundo há tantos discursos vazios, violentos e preconceituosos que, ao nos causarem asco, alimentam em nós uma inércia ou uma atitude cética.
Diante dessa realidade, o tempo do Advento nos apresenta como referência e estímulo a voz de João Batista. Ele não quis renunciar sua voz, apesar das incompreensões e das resistências; sua voz se converteu no apelo a modificar a ordem das prioridades, na voz das minorias, na voz que movia a assumir um outro estilo de vida, na voz que ajudava a descobrir que a pessoa está acima de tudo, na voz que sempre deve estar a favor da vida.
Essa foi a missão de João: ele aparece no deserto não como um sacerdote que convida ao culto, mas como um profeta que proclama a mudança, a conversão, a abertura à novidade d’Aquele que está chegando. É uma voz que clama, mas João é muito mais que uma palavra; João é toda uma vida que se faz palavra. Ou melhor, é a palavra feita vida, revestida de vida. Nos profetas fala a voz mas, sobretudo, fala a vida.

No Advento, a voz de João, que grita no deserto, ressoa em nosso próprio interior, destravando nossa voz, tantas vezes silenciada por uma cultura que impõe sua voz interesseira.
Cada um de nós tem, todo dia, a oportunidade de fazer escutar a própria voz. É necessário levantar nossa voz para despertar e ver as coisas a partir de outro ponto de vista, para transgredir esses discursos de morte e preconceito que o contexto, no qual vivemos, quer nos transmitir e que tanto nos desumaniza.
É necessário tomar consciência que, se renunciamos nossa voz, renunciamos defender nossa maneira original de nos fazer presentes numa realidade de exclusão e de propor outra maneira de viver, mais livre, aberta e expansiva.
Por tudo isso, como João Batista, expressemos nossa voz sem complexos, mas com o máximo respeito, cheia de ternura e não entrar no barco das vozes furiosas, carregadas de linchamento, de revanches e incompreensões para com quem pensa diferente, crê diferente, ama diferente.
Por tudo isso, não renunciemos nossa voz, não renunciemos enriquecer nosso entorno com nossa voz original, porque vozes inspiradoras, em momentos especiais, farão a diferença.

Em segundo lugar, “ouvir a voz de João” nos sensibiliza a escutar outras vozes, carregadas de vida e mobilizadoras de vida. Os personagens do Advento nos tornam sensíveis às verdadeiras vozes que tem a magia de nos tocar a fundo e despertar o impulso para entrar em sintonia com elas.
O fato é que, às vezes, nos acomodamos a viver em bolhas, onde, raras vezes, entram vozes que nos comovem de verdade. E, no entanto, debaixo da parafernália de gritos, ruídos, anúncios, apelos publicitários e frases feitas de mau gosto, continua brotando vozes cheias de verdade, vozes que vale a pena serem escutadas.
Estamos rodeados de diferentes vozes; quem sabe, por detrás de muitos gestos, palavras, gritos... não estarão vozes que pedem ajuda, ou que simplesmente expressam dor, insegurança, medo, clamando por uma presença acolhedora. É claro que não vamos estar o dia todo falando com o coração na mão e os olhos úmidos de lágrimas, desnudando nossa intimidade. É possível que na vida cotidiana continuaremos falando com nossa gente das coisas mais cotidianas. O verdadeiro desafio é aprender a escutar, por debaixo de diferentes vozes, a palavra profunda, o canto tranquilo ou o pranto escondido.

Há outros lamentos, não tão escondidos, que deixamos de escutar, talvez porque se chegássemos a ouvi-las, nos deixariam profundamente impactados, pois, poderiam provocar-nos uma sensação de impotência e de fracasso enorme. São vozes que não tem nada que decifrar, claras, rotundas, honestas. São as vozes dos excluídos de todo o tipo: pobres, famintos, vítimas de preconceito, aqueles homens e mulheres que sofrem a intolerância e a indiferença.
Às vezes, essas vozes nos conduzem a um dilema: para quê escutá-las, se não podemos fazer nada? Para tornar a vida mais amarga? Para sentir uma culpa que não é nossa? Aqui não se trata de fazer discursos voluntaristas ou demagógicos acerca do mal no mundo. O verdadeiro desafio é ampliar dentro de nós um espaço no qual outras vozes possam ressoar, recordando-nos que ainda há muito por fazer para continuar
construindo o Reino de Deus, onde todo ser humano possa viver com sua dignidade assegurada; para fazer-nos conscientes do quanto nossa vida tem de benção, e, ao mesmo tempo, o quanto somos responsáveis por todo bem recebido...

Na vida cristã entende-se o viver como uma arte que é preciso praticar. A vida não é um azar, nem um destino, nem um enigma a resolver. A fraternidade evangélica é uma escola da vida e interação, onde cada pessoa inter-atua com os demais e encontra liberdade para expressar sua voz e acolher a voz do outro.
Frente ao diferente, o tempo do Advento contém muitas possibilidades: pode gerar variadas combinações e sinergias. Advento é como um calidoscópio que combina uma infinidade de vozes e cores. As vozes dos diferentes encontram seu espaço, se identificam e potenciam a relação mútua. Todos, tendo um só coração e uma só voz, alimentam a unidade na diversidade.
A condição para descobri-las é “levantar os olhos”, ir mais além do imediato que nos cega e nos prende em redes de desejos insatisfeitos, em obsessões por conservar modos de vida que consideramos definitivos, em temores que embotam nosso coração impedindo o fluir da vida.

“Preparai o caminho do Senhor”. Como abrir caminhos para que os homens e mulheres de nosso tempo possam encontrar-se com Aquele que vem? Deus chegará por outros caminhos, totalmente diferentes dos caminhos que estamos construindo habitualmente. Deus não pode vir ao nosso mundo de hoje enquanto não construirmos caminhos mais planos de acolhida, solidariedade e partilha. Deus não pode vir nem entrar pelos caminhos diante dos quais foram construídos muros e valas, impedindo o acesso dos excluídos e perseguidos. Deus não pode entrar na história através de caminhos que desembocam nos corações carregados de ódio, de indiferença, de fanatismo e de preconceito para com tantas vítimas de poderes que desumanizam. Os personagens políticos e religiosos nomeados (Pilatos, Herodes, Anás, Caifás...), apesar de seus poderes e intrigas, não conseguiram extinguir a esperança que a voz profética de João convocava, a partir da periferia. Advento, é tempo de resistência.


Texto bíblicoLc 3,1-6

Na oração:
Pense em tantas vozes rompidas que às vezes ficam silenciadas pelo contexto social onde você vive. Peça a Deus que lhe ajude a ouvir e não perder nunca a capacidade de comover-se diante das:
- vozes daqueles que estão privados do mais necessário;
- vozes que são caladas por todo tipo de discriminação;
- vozes daqueles que são vítimas de intolerância e preconceito.

terça-feira, 8 de maio de 2018

MEDITAÇÃO: Esta sede de nada que nos faz adoecer

Compartilhamos a Meditação "Esta sede de nada que nos faz adoecer" proposta pelo Pe. José Tolentino Mendonça, durante os Exercícios espirituais do Papa Francisco,  em fev. 2018 na Casa Divino Mestre - Ariccia.


O contrário da sede é a preguiça – disse o sacerdote. Quando perdemos a curiosidade e nos fechamos ao inédito ficamos apáticos e começamos a ver a vida com indiferença. Por sua vez, a sede nos ensina a arte de procurar, de aprender, colaborar, a paixão de servir.
Existem muitos sofrimentos escondidos cujas origens devemos descobrir e que segundo o pregador, se escondem no mistério da solidão humana.
Quando nos sentimos em ‘burnout’
Um dos problemas mais comuns hoje é o chamado ‘burnout’: sentir-se em curto-circuito, esvaziado de energias físicas e mentais. Este esgotamento emocional é definido por alguns como ‘síndrome do bom samaritano desiludido’ e atinge muitas pessoas que fazem da ajuda e da cura do próximo sua ocupação principal. Como os sacerdotes.
Pe. Tolentino mencionou uma pesquisa realizada entre o clero da Diocese de Pádua (Itália), que apontou que os sacerdotes com maior risco de burnout são os jovens (25-29 anos) e os mais idosos, com mais de 70 anos. Dentre as causas deste mal-estar, estão o peso excessivo das expectativas (pessoais e dos outros), a ausência de uma vida espiritual, o temor do juízo, a exposição demasiada a situações humanas difíceis, pouca solidariedade entre os sacerdotes, incapacidade de se comunicar...
Quando nos sentimos amados como pessoas, amparados com afeto e acompanhamento, sabendo que nosso trabalho interessa, envolve e apaixona, temos a certeza de existir. Mas quando nos sentimos abandonados, incompreendidos e com o coração ferido por dores que não sabemos curar, temos a impressão de não contar nada para ninguém.
A este respeito, o padre lembrou que somos todos diferentes, cada um com sua beleza e fragilidades. A beleza humana é aceitar-se como somos; não viver nos sonhos ou ilusões, na raiva e na tristeza. Ter o direito de ser o que somos... e seremos amados por Deus e preciosos a seus olhos.
Jonas ou a necessária terapia do desejo
Recorrer à terapia do humor para satisfazer o desejo: o livro bíblico de Jonas nos faz sorrir salutarmente de nós mesmos, ao invés de dramatizar. Ele nos diz que a sabedoria está nos anunciadores de esperança e não nos apocalíticos pregadores de tragédias.
A anatomia da tristeza
‘Um dos sinônimos da preguiça, a ‘atonia’ da alma, é a tristeza’, afirmou o pregador.
Em relação à pastoral, a preguiça pode ter diferentes origens: insistir em projetos irrealizáveis; não aceitar a evolução dos processos; perder o contato real com as pessoas, não saber esperar, querer dominar o ritmo da vida... A ansiedade de obter resultados imediatos... a sensação de fracasso, de ser criticado, de cruz.
Aprendam de mim: ‘vem’

Pe. Tolentino concluiu sua meditação relacionando a nossa sede ‘de água’ com a palavra que revela a necessidade profunda, íntima e dolorosa ‘vem’, que a Igreja experimenta com a chegada no Espírito. Nesta palavra está o sinal de tudo o que precisamos, a razão de nossa esperança e ao mesmo tempo, a razão de nosso fracasso, cansaço... e a necessidade de superar tudo isso em Deus.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2018-02/quarta-meditacao-exercicios-espirituais.html

sábado, 9 de dezembro de 2017

Retiro do Advento


O Tempo do Advento abre o ano litúrgico e nos prepara para as festividades do Natal. Esse período é caracterizado pela simplicidade de elementos externos que tornam a celebração litúrgica mais sóbria e, ao mesmo tempo, estimula a profundidade da espiritualidade, que brota das orações e dos textos bíblicos. Em 2017, o tempo do Advento começa em 3 de dezembro e prolonga-se até a tarde do dia 24, data na qual começa o Tempo de Natal.
Todos os anos, o padre Luís Renato Carvalho de Oliveira prepara e disponibiliza um material para vivenciar esse tempo do Advento. O jesuíta afirma que se sente muito consolado propondo esta experiência e ressalta dois motivos: ajudar as pessoas e criar um espaço de partilha.
“Primeiro: como é bom ajudar as pessoas neste caminho da espiritualidade, nesse tempo encantador do Advento e Natal, uma experiência profunda e verdadeira do Deus da Vida, presente, atuante, que tanto nos ajuda a viver e construir um mundo melhor! Quantas pessoas ainda não descobriram a beleza e a importância de uma oração pessoal, íntima, diária, a partir de textos bíblicos, comprometida com a vida e com as pessoas, rezando a vida e a realidade, e sempre em discernimento: Senhor, que queres de mim? Onde e como me quer? Que queres que eu faça, como servir mais e melhor? Qual a minha missão?”, afirma padre Luís Renato.
Para ele, o segundo é incentivar a vivência do Retiro do Advento em grupo. “É criar esse espaço de partilha, de comunhão, ajudando-se mutuamente, a cada semana encontrando-se, na igreja ou na casa de alguém, preparando o ambiente, com símbolos de nossa cultura, intercalando com salmos e canções, partilhando a oração e a vida, vendo o sentido de cada semana, inspirados pela rica simbologia e experiência mística deste Tempo do Advento e Natal”, diz.
Os elementos básicos para fazer o Retiro do Advento são: dedicar trinta minutos à oração pessoal diária e rever essa oração durante alguns minutos. “Desejo a todos uma belíssima e frutuosa experiência. Agradeço a ajuda na divulgação deste material, as sugestões e melhoras, como também a partilha do que vivenciaram”, conclui padre Luís Renato.
Clique no nome dos documentos e faça o download dos materiais do Retiro do Advento 2017: